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JABULANI – A “UNGIDA” DA VEZ

Jabulani é a bola que foi produzida pela Adidas e está sendo utilizada na Copa do Mundo da FIFA de 2010, na África do Sul.
Particularmente, não me recordo de qualquer outra bola utilizada em copa do mundo que tenha ficado tão famosa, porém, o pior de tudo é que a fama da tal Jabulani é procedente dos seus discutíveis efeitos.
Alguns craques a reprovaram, outros tentaram defendê-la sob os protestos de que são patrocinados pela sua fabricante e outros ainda a vêem com desconfiança, e já houve até quem a classificasse como sobrenatural.
O certo é que, se a Jabulani fosse como todas as demais bolas do mercado e mesmo as utilizadas em copas anteriores, não estaria no centro das atenções, muito menos sendo citada neste singelo artigo.
Em que pese ter sido “ungida” a bola da vez na Copa 2010, seu midiático sucesso tem data marcada para entrar em declínio: 11.07.2010, a partida final do torneio mundial de futebol. A partir dessa data, a cada dia menos se falará na Jabulani, até que surja a celebridade redonda oficial da próxima copa.
Enfim, a bem da verdade, o que realmente me interessou em toda essa história da Jabulani, é a relação com alguns também midiáticos ministérios de obreiros, os quais de maneira subliminar se autodenominam como os “ungidos da vez”.
Assim como o futebol sobreviveu até hoje sem a tal Jabulani, também a igreja do Senhor sem os tais “ungidos da vez”.
A semelhança entre tais fatos só subsiste pelos controvertidos efeitos desses ministérios, pela reprovação de alguns, pela suspeita aprovação de amigos, beneficiários e simpatizantes e até mesmo pela desconfiança de outros acerca dos efeitos sobrenaturais por eles produzidos. Assim como a Jabulani vai desaparecer, da mesma forma os tais controvertidos ministérios.
A propósito, me lembro agora de Matias, aquele escolhido pelos apóstolos através de um sorteio, para preencher o lugar de Judas, o qual foi cognominado por um experiente pregador como “obreiro cometa”, ou seja, aquele desaparece com a mesma velocidade que apareceu. A Bíblia só se refere a Matias no dia da sua controvertida escolha. A partir daí nada mais se soube acerca desse apóstolo que teve apenas um minuto de fama.
Na verdade, a obra evangelizadora da Igreja é realizada pelos incontáveis obreiros anônimos, lotados nas grandes e pequenas cidades, bairros nobres ou favelas e até mesmo nos rincões mais longínquos do mundo. Gente normal que prega o evangelho de maneira simples, do jeito que está na Bíblia, sem controvérsia, sem fama, e isso por anos a fio.
Alguns deles, a grandeza da sua obra só é descoberta após a sua partida para a eternidade, quando então surgem as tardias homenagens, digo tardia do ponto de vista humano, pois na realidade à esses está garantida a certeza do galardão celestial, no entanto, quanto aos obreiros Jabulani’s, já receberam aqui mesmo os louros da sua controvertida fama.

Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” 2 Timóteo 4:5

Postado por Pr. Carlos Roberto no seu blog point rhema

A lista da Seleção já está completa???

A lista da Seleção já está completa?

Ainda há possibilidade de incluir outros nomes antes da Grande Convocação

A lista da Seleção já está completa?

O assunto do momento é a lista dos 23 jogadores que, possivelmente, defenderão a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, neste ano. Mas eu fiquei pensando: Será que a relação da Seleção Celestial já está pronta? Já estariam os nomes de todos no Livro da Vida, que é o registro dos salvos, de todas as épocas? Não serão incluídos novos convertidos ao mencionado livro antes da Grande Convocação, o Arrebatamento da Igreja?

Segundo a Bíblia, aquele cujo nome não constar do Livro da Vida será lançado no Lago de Fogo, o Inferno propriamente dito (Ap 20.15). E alguns teólogos têm afirmado que Deus já inseriu nesse livro todos os nomes dos eleitos antes da fundação do mundo. Eles também contestam a oração que alguns pregadores fazem pelos pecadores arrependidos: “Pai, em nome de Jesus, escreva os seus nomes no Livro da Vida”.

Entretanto, conclui-se, à luz de Apocalipse 17.8, que os nomes dos salvos estão (e vêm sendo) relacionados no Livro da Vida desde a (e não antes da) fundação do mundo. Numa construção frasal, há uma enorme diferença entre antes da e desde a. Segue-se que a expressão “desde [gr. apo] a fundação do mundo” denota que os nomes dos salvos vêm sendo inseridos no Livro da Vida desde que o homem foi colocado na Terra fundada por Deus (Gn 1), e não que haja uma lista previamente pronta antes que o mundo viesse a existir.

A título de comparação, em Apocalipse 13.8 está escrito que todos os cordeiros mortos desde o princípio apontavam para o sacrifício expiatório do Cordeiro de Deus (cf. Is 53; Jo 1.29). Isto é, as ofertas de animais apresentadas a Deus pelos seus servos, antes de Cristo morrer por nossos pecados, tipificam a definitiva obra redentora da cruz (1 Pe 1.18,19; 3.18).

Quando o salvo em Cristo tem o nome inserido no Livro da Vida? Uma pessoa só pode ter o registro do nome em cartório depois de seu nascimento; ninguém é registrado antes disso. Da mesma forma, o nome de alguém só passa a constar do aludido livro após o seu novo nascimento. Afinal, “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).

Portanto, não existe listagem prévia dos eleitos. Na medida em que os indivíduos creem em Cristo (Jo 3.16) e o confessam como Senhor (Rm 10.9,10), são inscritos no rol de membros da Seleção Celestial, a Igreja dos primogênitos, a Universal Assembléia (At 2.47, ARA; Hb 12.23).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi

EM 1 CORÍNTIOS 7.36 TEMOS UMA APROVAÇÃO PARA O INCESTO?

EM 1 CORÍNTIOS 7.36 TEMOS UMA APROVAÇÃO PARA O INCESTO?

“Mas, se alguém julga que trata dignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se.” (1 Co 7.36, ARC)

“Entretanto, se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem.” (1 Co 7.36, ARA)

O problema destas versões está na tradução do termo grego parthenon, onde especialmente na Almeida Revista e Atualizada foi traduzido por “filha”. Vale resaltar, que na própria nota de rodapé da referida versão é colocado que se trata de “expressão ambígua, que pode significar a sua filha ou a sua prometida.

O Dicionário do Grego do Novo Testamento de Carlos Rusconi (Paulus) define o termo parthenos como “homem ou mulher que nunca teve relações sexuais: virgem”.

O Dicionário do Novo Testamento Grego de W. C. Taylor (JUERP) traduz o verbete parthenia por “virgindade”, e parthenos por “virgem”.

O Léxico Grego Analítico de Harold K. Mouton (Cultura Critã), admite para a tradução de parthenos: virgem, donzela.

O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento de Coenen e Brown (Vida Nova) afirma que “A mulher jovem que ainda não se casou é chamada parthenos. Nisto, a ênfase pode recair, de um lado, sobre a sua juventude já madura, e , do outro lado, sobre a sua inocência e pureza” (p. 1334). E ainda: parthenos ocorre 3 vezes em Mt 25.1-12, uma vez em Atos, 5 vezes em 1 Co cap. 7, uma vez em 2 Co cap. 11, e uma vez no Apocalipse. O Uso geral se torna aparente na parábola das Dez Virgens (Mt 25.1, 5, 11). Em At 21.9, refere-se a filhas solteiras. [...] W. G. Kummmel, do outo lado, segue G. Schrenk, TDNT III 60-61, pensando que Paulo tem em mente o relacionamento de um homem para com a sua noiva que é virgem no sentido comum.” (p. 1352)

O Novo Testamento Interlinear da Sociedade Bíblica do Brasil e o Novo Testamento Interlinear de Waldir Carvalho Luz (Cultura Cristã) traduzem o termo parthenon por “virgem”.

Anthony Palma, no Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento (CPAD, p. 979-980), após apresentar as três principais interpretações dos versos 36-38, fica com a hipótese que alega apresentar menos dificuldade, ou seja, a de que a frase “sua virgem” se refere a um homem e sua noiva.

Estranhamente, e destoando das demais citações aqui feitas, ao comentar sobre o termo grego parthenos, Vine (CPAD, p. 657) declara que “[...] significa, em 1 Co 7.36-38, ‘filha virgem’.”

Além das alusões ao termo nas obras acima, outros argumentos fortalecem a idéia de que 1 Co 7.36 não é uma aprovação à prática do incesto.

Em primeiro lugar, a aprovação de incesto por Paulo iria de encontro aos mandamentos e proibições listados em Levíticos 18.6:

“Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para lhe descobrir a nudez. Eu sou o Senhor.”

É interessante ainda observar, que uma boa hermenêutica deve seguir o princípio de que um texto (tradução ou versão) obscuro precisa ser analisado à luz de textos (traduções ou versões) e contextos mais claros sobre o assunto em discussão.

Duas versões bíblicas cooperam na elucidação do problema com a tradução e interpretação do texto de 1 Coríntios 7.36:

“Se alguém acha que está agindo de forma indevida diante da virgem de quem está noivo, que ela está passando da idade, achando que deve se casar, faça como achar melhor. Com isso não peca. Casem-se.” (Nova Versão Internacional-NVI)

“Aos que ficaram noivos, mas resolveram não casar mais, eu digo o seguinte: se o rapaz sente que assim não está agindo certo com a sua noiva e acha que a sua paixão por ela ainda é muito forte e que devem casar, então que casem. Não existe pecado nisso.” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje-NTLH)

Abraços!

Postado por ALTAIR GERMANO, às 10:35 4 comentários

UMA QUESTÃO DE MARCA.

UMA QUESTÃO DE MARCA

Qual a razão de tanta questão em torno de uma marca ou denominação na hora de “batizar” uma nova igreja, ou quando se resolve “re-batizar” uma igreja já existente? Seria para de alguma forma identificar sua linha doutrinária? Estar-se-ia buscando manter uma identidade denominacional? Haveria o interesse de se tirar proveito de um nome já construído ao longo dos anos? Seria para ajudar a “vender” mais fácil o Evangelho?

Nome de igreja (denominação) não salva ninguém, mas, pode dar credibilidade para quem não é digno de credibilidade, ou para quem deseja se aproveitar da “marca” para fazer crescer o seu “reino pessoal” (e não o Reino de Deus).

Não existe igreja perfeita, porque os seus líderes e membros não são perfeitos. Agora, de uma coisa estou certo, existem igrejas com líderes sérios e comprometidos com Deus e com a sua Palavra, como também existem igrejas pastoreadas por verdadeiros bandidos e exploradores da fé.

O fato é que o nome “Assembléia de Deus”, “Igreja Batista”, “Igreja Presbiteriana” e outros que estão associados a uma organização já reconhecida nacionalmente por seu trabalho espiritual, social e cultural, acabam sendo utilizados indiscriminadamente, alcançando os níveis do banal e do ridículo.

Não se conhece a seriedade de uma igreja apenas por sua “marca”, mas acima de tudo, pelo amor, comunhão e caráter de seus líderes e membros. Sendo assim, por uma questão de prudência, devem-se buscar informações sobre a referida igreja e seu pastor, sempre que se pensar em congregar, mudar de congregação ou de denominação. O tempo é outro grande auxiliar no sentido de revelar quem é quem.

Ninguém fique admirado, se de repente, em meio a tanta criatividade, oportunismo e cinismo, surgir no cenário evangélico nacional um dos nomes abaixo:

- Igreja Evangélica dos Sem Igreja

- Assembleia da Vitória Financeira

- Congregação Cristã dos Pescadores de Aquários

- Ministério Apostólico dos Mercenários de Plantão

- Assembleia da Minha Família

- Comunidade Aqui Pode Tudo

- Paróquia da Enganação

- Universal do Meu Reino

- A Verdadeira e Imaculada Igreja de Jesus

- Igreja Batista Pós-Moderna

- Caminho da Santificação Sem Jugo

- Capela da Prosperidade

- Sementeira de Cristo

- Igreja do Bom Brilho das 1001 Utilidades

- Igreja Global e Você, Tudo a Ver

- Igreja Jesus Cristo É Isso Aí

Que o Senhor nos ajude!

Publicado em O GALILEO

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Postado por ALTAIR GERMANO, às 20:36 3 comentários

vida rasa ou profunda???

Ribeiro VIDA RASA OU PROFUNDA? Um agricultor plantou duas árvores da mesma espécie. Uma em solo plano, no meio do terreno, onde suas raízes se aprofundaram na terra em busca de água. A outra, na parte mais baixa de um declive. Quando chovia, a água passava por aquele lugar e escoava para a rua. Ambas as árvores cresceram e pareciam fortes e viçosas. Foi então que sobreveio um terrível vendaval e assolou as duas árvores. A árvore do meio do terreno permaneceu firme, enquanto a outra tombou. O agricultou descobriu, finalmente, que os sistemas radiculares eram diferentes. A árvore do meio do terreno possuía raízes profundas, enquanto a outra possuía raízes rasas. Na base do declive, a água passava suavemente na superfície do solo, por isso as raízes não tinham de coletar água em profundidade e permaneceram superficiais. Esse foi o motivo de a árvore não ter suportado a força do vendaval. Toda árvore geralmente desenvolve suas raízes numa lateralidade rasa e numa verticalidade profunda, pois precisa aproveitar tanto as águas correntes na superfície em tempos de abundância como as águas profundas em tempos de estio e sequidão. Que a lição espiritual se pode tirar desse exemplo? O profeta Jeremias descreve a vida profunda de quem “confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor”: “Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jr 17.7-8). Quem confia no Senhor tem raízes rasas estendidas “para o ribeiro” em tempos de fartura; assim também “não se perturba, nem deixa de dar fruto” em período de sequidão, pois suas raízes são profundas. O problema da árvore com raízes rasas é que ela se “acomodou” diante de tanta abundância e descuidou-se da firmeza necessária para enfrentar as intempéries. Quantos cristãos têm a vida espiritual rasa por estarem procedendo como a árvore acomodada? Como identificar, então, o cristão raso e diferençá-lo do profundo? Ora, o cristão raso vive pulando de igreja em igreja, numa procura sem fim da que é “mais forte” para receber suas bênçãos. Para ele, seguir o Evangelho é ter seus sonhos realizados, os pedidos atendidos, as vontades expressas em decretos e ordens inconsequentes a um “Deus” domesticado e pronto para atender-lhe os caprichos. O cristão raso não entende o conceito de graça, pois vive por obras e barganhas; também não dá graças em tudo, pois quando não consegue imediatamente o que quer, sua oração não passa de mera reclamação. Quer um Deus de bênção, não de disciplina; prefere o caminho largo dos modismos espiritualistas (que não lhes custa nada, senão uns trocados) ao caminho estreito da salvação (que lhes demanda o alto preço de uma entrega total). O cristão raso participa dos cultos apenas para receber bênçãos, não para expressar a sua adoração e amor a Deus; não procura conhecer a Deus para ter intimidade com Ele. Quer bênçãos financeiras, mas geralmente usa dízimos e ofertas para barganhar com Deus, não para abençoar a Obra. O cristão raso quer cura e libertação, mas não tem uma vida regrada, não foge da promiscuidade; antes, se entrega a todo tipo de prazer e vícios. Quer ser perdoado, mas nem sempre libera o necessário perdão para ser liberto; antes, guarda mágoas e ódio contra seus irmãos em Cristo. Pede livramentos, mas não vive de forma correta; antes, se expõe desnecessariamente ao perigo. Dá livre curso às suas ambições materialistas a fim de acumular tesouros na terra, mas não acumula tesouros no céu, nem prioriza os valores espirituais e eternos. Não tem nada de errado em buscar as bênçãos de Deus. Muitas pessoas se chegam a Deus em busca de cura, libertação, livramento etc., e devem fazê-lo livremente. Não podemos censurar as pessoas por buscarem algo sobrenatural que lhes traga melhoria de vida, se elas crêem no poder de Deus e esperam receber as bênçãos de que precisam. O problema é a rasidão da vida espiritual que pode resultar da acomodação dessa experiência. O cristão profundo, todavia, “é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.3). Portanto, não se acomode; viva com profundidade! Pr. Samuel Câmara (Assembléia de Deus em Belém-PA)

ESTUDE A BIBLIA

3 de janeiro de 2010 Deixe um comentário

Um Sermão (Nº 0015)

Pregado na Manhã de Domingo, 18 de Março de 1855 pelo Reverendo C. H. Spurgeon

No Exeter Hall, Strand— Londres —Inglaterra

“Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12)

Esta é a queixa de Deus contra Efraim. Não é uma prova insignificante de Sua bondade, que Ele se incline para repreender Suas criaturas errantes; é uma grandiosa evidência de Sua disposição cheia de graça, que incline Sua cabeça para observar os assuntos da terra. Se Ele quisesse, poderia Se envolver com a noite como se fosse um vestido; poderia colocar as estrelas ao redor de Sua mão como se fossem um bracelete e unir os sóis ao redor de Sua testa como um diadema; poderia morar só, longe, muito acima deste mundo, acima do sétimo céu, e contemplar com calma e silenciosa indiferença todas as atividades das criaturas.

Poderia fazer como Júpiter que, segundo criam os pagãos, se assentava em perpétuo silêncio, fazendo cenas às vezes com sua terrível cabeça, para fazer com que os destinos se movam segundo lhe agrade, porém ignorando as coisas pequenas da terra, e considerando-as indignas de chamar sua atenção; absorto em seu próprio ser, absorto em Si mesmo, vivendo só e separado. E eu, como uma de Suas criaturas, poderia subir ao cume de uma montanha e olhar para as estrelas silenciosas e dizer-lhes: “Vós sois os olhos de Deus, porém não olhais para mim; a vossa luz é um dom de Sua onipotência, porém esses raios não são sorrisos de amor para mim. Deus, o poderoso Criador, me esqueceu; sou uma gota desprezível no oceano da criação, uma folha seca no bosque dos seres viventes, um átomo na montanha da existência. Ele não me conhece, estou só, só, só”.

Porém não é assim, amados. Nosso Deus é de uma ordem diferente. Ele observa a cada um de nós. Não existe nem mesmo um pardal ou um verme que não se encontre em Seus decretos. Não há uma pessoa sobre a qual não estejam os Seus olhos. Nossos atos mais secretos são conhecidos por Ele. Qualquer coisa que façamos, que suportemos ou soframos, o olho de Deus sempre descansa sob nós e Seu sorriso nos cobre, pois somos Seu povo; ou a Sua desaprovação nos envolve, pois temos nos apartado dEle.

Oh! Deus é dez mil vezes misericordioso, pois contemplando a raça do homem, não finda com sua existência. Vemos por nosso texto que se interessa pelo homem, porquanto disse a Efraim: “Escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”. Porém, vejam como quando observa o pecado do homem, não o destrói ou despreza a ponta-pés, nem tampouco o sacode pelo pescoço sobre o abismo do inferno até fazer sua mente cambalear pelo terror, para, finalmente, lançá-lo nele para sempre; pelo contrário, Deus desce do céu para argumentar com Suas criaturas, discute com elas, Se rebaixa, por assim dizer, ao mesmo nível do pecador, lhe expõe Suas queixas e alega os Seus direitos. Oh! Efraim, “escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Venho esta noite como enviado de Deus, amigos meus, para tratar com vocês como embaixador de Deus, para acusar de pecado a muitos de vocês; para fazer-lhes ver sua condição, com o poder do Espírito; para convencer-lhes do pecado, da justiça e do juízo vindouro. O crime do qual vos acuso é o pecado que lemos neste texto. Deus escreveu as grandezas de Sua lei, e elas foram tidas como coisa estranha. É precisamente sobre este bendito livro, a Bíblia, que pretendo falar no dia de hoje. Aqui está meu texto: esta é a Palavra de Deus. Aqui está o tema de meu sermão, um tema que demanda mais eloqüência do que a que possuo; um assunto sobre o qual poderiam falar milhares de oradores ao mesmo tempo; um tema poderoso, amplo e um assunto inesgotável que, ainda que consumindo toda a eloqüência da eternidade, não permaneceria esgotado.

Esta noite tenho três coisas para dizer acerca da Bíblia, e as três se encontram no meu texto. Primeira, Seu autor: “[Eu] escrevi-lhes”; segunda, seus temas: as grandezas da lei de Deus; e terceira, seu tratamento generalizado: foram tidas pela maioria dos homens como coisa estranha.

I. Primeiro, então, com relação a este livro, quem é O AUTOR? O texto nos diz que é Deus. “Eu escrevi-lhes as grandezas de minha lei”. Aqui está minha Bíblia, quem a escreveu? Abro-a e observo que se compõe de uma série de tratados. Os primeiros cinco livros foram escritos por um homem chamado Moisés. Passo as páginas, e vejo que há outros escritores tais como Davi e Salomão. Aqui leio Miquéias, então Amós, então Oséias. Prossigo adiante e chego às luminosas páginas do Novo Testamento, e vejo Mateus, Marcos, Lucas e João; Paulo, Pedro, Tiago e outros; porém, quando fecho o livro, me pergunto: quem é o seu autor? Podem estes homens, juntamente, reivindicar a autoria deste livro? São eles realmente os autores deste extenso volume? Divide-se entre todos eles a honra? Nossa santa religião responde: Não!

Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todo-poderoso; cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo Espírito Santo. Ainda que Moisés tenha sido usado para escrever suas histórias com sua ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode ser que Davi tenha tocado sua harpa, fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de seus dedos, porém Deus movia Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa de ouro. Pode ser que Salomão que tenha cantado os Cânticos de amor, ou pronunciado palavras de sabedoria consumada, porém Deus dirigiu seus lábios, e fez eloqüente ao Pregador. Se sigo ao trovejador Naum, quando seus cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as tendas de Cusã em aflição; se leio Malaquias, quando a terra está ardendo como um forno; se passo para as serenas páginas de João, que nos falam de amor, ou para os severos e fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que devora os inimigos de Deus, ou para Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus; em todas partes vejo que é Deus quem fala.

É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus, as palavras do Eterno, do Invisível, do Todo-poderoso, do Jeová desta terra. Esta Bíblia é a Bíblia de Deus; e quando a vejo, parece que ouço uma voz que surge dela, dizendo: “Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou a escrita de Deus: abra minhas folhas, porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele é meu autor, e O verá visível e manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Como sabemos que Deus escreveu este livro? Não tentarei responder a esta pergunta. Poderia fazê-lo se quisesse, porque há razões e argumentos suficientes, porém não penso em roubar o vosso tempo nesta noite, expondo esses argumentos à vossa consideração; sim, não farei isso. Se quisesse, poderia lhes dizer que a grandeza do estilo está acima de qualquer escrita mortal, e que todos os poetas que já existiram no mundo, com todas suas obras juntas, não poderiam nos oferecer uma poesia tão sublime, nem uma linguagem tão poderosa como podemos encontrar nas Escrituras.

Poderia insistir que os temas que se tratam na Bíblia estão muito acima do intelecto humano; que o homem nunca poderia ter inventado as grandes doutrinas da Trindade na Deidade; que o homem nunca poderia ter nos dito nada da criação do universo; nenhum ser humano poderia ter sido o autor da sublime idéia da Providência; que todas as coisas são ordenadas segundo a vontade de um grandioso Ser Supremo, e que todas elas cooperam juntamente para o bem. Poderia falar-lhes acerca de sua honestidade, pois relata as falhas de seus escritores; de sua unidade, pois nunca se contradiz; de sua simplicidade magistral, para que o mais simples a possa ler. E poderia mencionar centenas de coisas mais, que poderiam demonstrar com claridade que o livro é de Deus. Porém, não vim aqui para provar isso.

Sou um ministro cristão, e vocês são cristãos, ou professam sê-lo; e nenhum ministro cristão precisa provar seu ponto de vista, trazendo os argumentos dos pagãos para respondê-los. É a maior insensatez do mundo. Os infiéis, pobres criaturas, não conhecem seus próprios argumentos até que nós lhes contemos, e eles, juntando-os pouco a pouco, voltam a lançar-lhes como lanças sem pontas contra o escudo da verdade. É uma insensatez tirar estes tições do fogo do inferno, ainda que estejamos bem preparados para apagá-los. Deixemos que os homens do mundo aprendam o erro por si mesmos; não sejamos propagadores e suas falsidades. É certo que há pregadores que, não contando com os argumentos suficientes, os tiram de qualquer parte; porém os homens eleitos pelo próprio Deus não necessitam fazer isso; eles são ensinados por Deus, e Deus lhes supre os temas, as palavras e o poder.

Talvez haja alguém aqui nesta noite que tenha vindo sem fé, um homem racionalista, um livre pensador. Com esse homem não irei discutir. Confesso que não estou aqui para participar de controvérsias, mas para pregar o que conheço e sinto. Porém eu também já fui como esse homem. Houve uma hora má em minha vida, quando soltei a âncora da minha fé; eu cortei o cabo das minhas crenças e, já não querendo estar por mais tempo ao abrigo das costas da Revelação, deixei que meu navio andasse a deriva, impulsionado pelo vento. Disse à razão: “Sê minha capitã”; disse ao meu próprio cérebro: “sê meu timão”. E assim comecei minha louca viagem. Graças a Deus tudo isso já terminou. Porem, lhes contarei sua breve história.

Foi uma navegação precipitada pelo tempestuoso oceano do livre pensamento. Conforme avançava, os céus começaram a escurecer; porém, para compensar essa deficiência, as águas eram brilhantes com fulgores esplendorosos. Eu via que subiam centelhas que me agradavam, e pensei: “Se isto é o livre pensamento, é algo maravilhoso”. Meus pensamentos pareciam jóias e eu espalhava estrelas com minhas duas mãos; porém imediatamente, no lugar daqueles fulgores de glória, vi amargos amigos, ferozes e terríveis, surgindo das águas, e conforme prosseguia, eles rangiam seus dentes e zombavam de mim; eles se apegaram à proa do meu navio e me arrastaram. Enquanto eu, em parte, me gloriava da rapidez com que me movia, me estremecia, contudo, pela velocidade terrível com que deixava para trás os velhos pilares da minha fé.

Conforme seguia avançando a uma velocidade espantosa, comecei a duvidar da minha própria existência; duvidava que o mundo existisse; duvidava que houvesse tal coisa como meu próprio eu. Cheguei à própria borda dos domínios sombrios da incredulidade. Fui até ao próprio fundo do mar da infidelidade. Duvidava de tudo. Porém aqui Satanás enganou a si mesmo, porque a própria extravagância das dúvidas me demonstrou o absurdo delas. Justamente quando vi o fundo desse mar, escutei uma voz que dizia: “E pode esta dúvida ser verdade?” Por causa deste pensamento voltei à realidade. Despertei-me desse sono de morte, que, Deus o sabe, poderia ter condenado minha alma e destruído meu corpo, se não tivesse despertado.

Quando me levantei, a fé tomou o timão; a partir desse momento já não duvidei. A fé conduziu meu navio de volta; a fé gritava: “Longe daqui, longe daqui!” Lancei minha âncora no Calvário; alcei meus olhos a Deus, e eis-me aqui vivo e fora do inferno. Portanto, eu digo o que sei. Naveguei nessa viagem perigosa; regressei ao porto são e salvo. Peça-me que seja outra vez um incrédulo! Não, já o provei. Foi doce ao princípio, mas amargo depois. Agora, atado ao Evangelho de Deus mais firmemente do que nunca, parado sobre uma rocha mais dura do que o diamante, desafio os argumentos do inferno a que me movam, “porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” .

Porém, não vou refutar nem argumentar nesta noite. Vocês professam ser homens cristãos, pois do contrário não estariam aqui. Vossa profissão pode ser falsa; o que vocês dizem ser, pode ser exatamente o contrário do que realmente são. Porém, ainda assim, eu suponho que todos vocês admitem que esta é a Palavra de Deus. Portanto, um ou dois pensamentos sobre isto. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”.

Primeiro, meus amigos, examinem este volume e admirem sua autoridade. Este não é um livro comum. Não contém os ditos dos sábios da Grécia, nem os discursos dos filósofos da antiguidade. Se estas palavras tivessem sido escritas pelo homem, poderíamos rejeitá-las; porém, oh!, deixe-me pensar um pensamento solene: que este livro é a letra de Deus, que estas são Suas palavras. Deixe-me investigar sua antiguidade: está datado das colinas do céu. Permita-me que olhe suas letras: relampejam glória em meus olhos. Deixe-me ler seus capítulos: seu significado é grandioso e contêm mistérios escondidos. Nos voltemos para as profecias: estão cheias de maravilhas inefáveis. Oh, livro dos livros! E foste tu escrito por meu Deus? Então, me prostro diante de ti. Tu, livro de vasta autoridade; tu és uma proclamação do Imperador do Céu. Longe esteja de mim exercitar minha razão para contradizer-te. Razão!, tua função é considerar e averiguar o que este volume quer dizer, e não estabelecer o que deveria dizer.

Vamos, vós, minha razão e meu intelecto, sentem-se e escutem, porque estas palavras são as palavras de Deus. Sinto-me incapaz de estender-me neste pensamento. Oh, se tu pudesses recordar sempre que esta Bíblia foi verdadeira e realmente escrita por Deus! Oh! se se lhes houvesse permitido entrar nas câmaras secretas do céu, e tivessem podido contemplar a Deus quando tomava Sua pluma e escrevia estas letras, então com seguranças as respeitariam. Porém, são efetivamente o manuscrito de Deus, tanto como se vocês tivessem visto Deus escrevendo-as. Esta Bíblia é um livro de autoridade, é um livro autorizado, pois Deus o escreveu. Oh, temam, não a desprezem; observem sua autoridade, porque é a palavra de Deus.

Então, posto que Deus a escreveu, notem sua veracidade. Se eu a tivesse escrito, haveria vermes críticos que de imediato a atropelariam, e a cobririam com suas larvas malvadas. Se eu a tivesse escrito, não faltariam homens que a despedaçassem imediatamente, e talvez com muita razão. Porém, esta é a Palavra de Deus. Aproximem-se, investiguem, vós críticos, e encontrem uma falha; examinem-na desde seu Gênesis até seu Apocalipse, e encontrem um erro. Esta é uma veia de puro ouro, sem mescla de quartzo, ou de qualquer outra substância terrena. Esta é uma estrela sem mancha, um sol de perfeição, uma luz sem sombra, uma lua sem sua palidez, uma glória sem penumbra.

Oh, Bíblia, não se pode dizer de nenhum outro livro que seja perfeito e puro; porém, nós podemos declarar de ti que toda a sabedoria se encontra encerrada em ti, e não há nenhuma partícula de insensatez. Este é o juiz que põe fim a toda discussão, ali onde a inteligência e a razão fracassam. Este livro não tem mancha de erro; mas é puro, sem mesclas, a verdade perfeita. Por que? Porque Deus o escreveu. Ah! Acusem Deus de erro, se querem; digam-Lhe que Seu livro não é o que deveria ser.

Tenho ouvido de homens cheio de orgulho e falsa modéstia, que gostariam de alterar a Bíblia, e (quase me ruborizo de dizer) tenho ouvido de alguns ministros que alteraram a Bíblia de Deus, porque tinham medo dela. Vocês nunca ouviram um homem dizer: “Aquele que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crê” — o que a Bíblia diz? — “Será condenado”. Porém, acontece que isto é algo rude, portanto eles dizem: “será desaprovado”. Cavaleiros!, eliminem o veludo de suas bocas, e preguem a Palavra de Deus; não necessitamos de nenhuma de suas alterações. Tenho escutado algumas pessoas que, orando, ao invés de dizer: “fazer firme vossa vocação e eleição”, dizem: “fazer firme vossa vocação e salvação”. É uma lástima que não tenham nascido quando Deus morava nos tempos remotos, há muito, muito tempo, para que tivessem podido ensinar a Deus como escrever. Oh!, desonestidade além de todo limite! Oh!, orgulho desmedido! Tratar de ditar ao Sábio dos sábios, de ensinar ao Onisciente e de instruir ao Eterno! É estranho que haja homens tão vis que usem o canivete de Jeioaquim para mutilar passagem da Palavra, porque têm mau sabor. Oh, vocês que sentem aversão por certas porções da Santa Escritura, tenham a certeza de que seu gosto é corrompido e que a vontade de Deus não se sujeita à pobre opinião de vocês. Tua desaprovação é precisamente a razão pela qual Deus a escreveu; porque não se deve acomodar a ti, nem tens direito de ser agradado. Deus escreveu o que não te agrada: escreveu a verdade. Oh, prostremo-nos em reverência diante dela, pois Deus a inspirou. É verdade pura. Desta fonte manda aqua vitae — a água da vida — sem nenhuma partícula de terra; deste sol nascem raios de esplendor sem sombra alguma. Bendita Bíblia; tu és toda a verdade.

Antes de deixar este ponto, detenhamo-nos a considerar a natureza misericordiosa de Deus, em ter-nos escrito uma Bíblia. Ah! Ele poderia ter-nos deixado sem ela, que tatearíamos nosso caminho de trevas, como os cegos buscam a parede; Ele poderia ter-nos deixado em nosso extravio, com a estrela da razão como nosso único guia. Recordo uma história do Sr. Hume, que constantemente afirmava que a luz da razão é suficiente em abundância. Estando na casa de um bom ministro de Deus numa noite, havia estado discutindo sobre este assunto, manifestando sua firme convicção na suficiência da luz da natureza. Ao sair, o ministro lhe ofereceu uma vela, para iluminar, enquanto ele descia a escadaria. Ele disse: “não, a luz da natureza será suficiente; a luz me bastará”. Porém, ocorreu que uma nuvem estava ocultando a lua, e ele caiu, escadaria abaixo. “Ah!”, disse o ministro, “apesar de tudo, teria sido melhor haver tido uma pequena luz daqui de cima, Sr. Hume”.

Então, ainda que supondo que a luz natural fosse suficiente, seria melhor que tivéssemos um pouco de luz de cima, e desta maneira estaríamos seguros de estarmos certos. É melhor ter duas luzes do que uma. A luz da criação é muito brilhante. Podemos ver a Deus nas estrelas; Seu nome está escrito com letras de ouro no rosto da noite; podem descobrir Sua glória nas orlas do oceano, sim, e nas árvores do campo. Porém, é melhor ler em dois livros, do que em um. Vocês O encontrarão mais claramente revelado, porque Ele mesmo escreveu este livro e nos deu a chave para entendê-lo, se vocês têm o Espírito Santo. Amados irmãos, demos graças a Deus por esta Bíblia. Amemo-la e consideremo-la mais preciosa do que o ouro mais fino.

Porém, permitam-me dizer uma coisa, antes de passar para o segundo ponto. Se esta é a Palavra de Deus, que será de alguns de vocês que não a tem lido durante todo o último mês? “O senhor disse um mês? Eu não a li durante todo este ano!” Ah, e muitos de vocês não a leram nunca. A maioria das pessoas trata a Bíblia de uma maneira mui cortês. Têm uma edição de bolso belamente encadernada, a envolvem num pano branco, e assim a levam ao lugar do culto. Quando regressam para casa, a guardam numa gaveta até o próximo Domingo pela manhã. Então, lá voltam a tirar para um passeio, e a levam à capela; tudo quanto a pobre Bíblia recebe é este passeio dominical. Esse é seu estilo de tratar este mensageiro celestial. Há pó suficiente sobre algumas de suas Bíblias para escrever “condenação” com seus próprios dedos. Muitos de vocês nem sequer a tem folheado há muito, muito, muito tempo e, que pensam?

Digo-vos palavras duras, porém palavras verdadeiras. Que dirá Deus, finalmente? Quando chegarem a Sua presença, Ele perguntará: “Leste minha Bíblia?” “Não”.“Escrevi-te uma carta de misericórdia, a leste?” “Não”. “Rebelde! Enviei-te uma carta, convidando-te a Mim, a leste alguma vez” “Senhor, nunca rompi o selo: sempre a guardo bem fechada”. “Maldito”, diz Deus, “então, tu mereces o inferno; se te enviei uma epístola de amor, e nem sequer quiseste romper o selo, que farei contigo?” Oh! Não permitam que isso lhes suceda. Sejam leitores da Bíblia, sejam esquadrinhadores da Bíblia.

II. Nosso segundo ponto é: OS TEMAS DOS QUAIS A BÍBLIA TRATA. As palavras do texto são estas: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. A Bíblia fala de grandes coisas e somente de grandes coisas. Não há nada na Bíblia que não seja importante. Cada versículo contém um solene significado, e se todavia não o temos encontrado, esperamos fazê-lo. Vocês têm visto múmias, cobertas com dobras de pano de linho. Bem, a Bíblia é Deus é algo parecido; há numerosos rolos de linho branco, tecidos no tear da verdade; de maneira que terão que continuar desatando, rolo após rolo, até encontrar o verdadeiro significado do que está escondido; e quando crerem ter encontrado, ainda assim continuarão desatando, desatando, e durante toda a eternidade vocês estarão desatando as palavras deste grandioso volume. Não há nada na Bíblia que não seja grandioso. Permitam-me dividir, para ser mais breve. Primeiro, todas as coisas nesta Bíblia são grandiosas; segundo, algumas coisas as mais grandiosas de todas.

Todas as coisas da Bíblia são grandiosas. Algumas pessoas pensam que não importa a doutrina na qual alguém crê; que algo secundário a que igreja você assiste; que todas as denominações são iguais. Há um ser, a senhora Intolerância, a qual eu detesto mais do que ninguém neste mundo, e a qual jamais fiz algum cumprimento ou elogio; porém, há outra pessoa a qual odeio igualmente; trata-se do senhor Latitudinarismo [1], indivíduo bem conhecido que descobriu que todos somos iguais. Agora, eu creio que uma pessoa pode ser salva em qualquer igreja. Algumas têm sido salvas na igreja de Roma, uns poucos homens benditos cujos nomes poderia citar aqui. Também sei, bendito seja Deus, que grandes multidões são salvas na igreja da Inglaterra; nela há uma hoste de sinceros e piedosos homens de oração. Creio que todos os ramos do protestantismo cristão têm um remanescente segundo a eleição da graça; e que necessitam ter, algumas delas, um pouco de sal, pois do contrário se corromperiam. Porém quando disso isso, vocês imaginam que coloco todas elas no mesmo nível? Estão todas igualmente certas? Uma diz que o batismo de infantes é correto, outras afirmam que não é correto. Alguns dizem que ambas têm razão, porém eu não vejo assim. Uma ensina que somos salvos pela graça soberana, outra diz que não, senão que é nosso livre-arbítrio que nos salva; contudo, outras dizem que as duas coisas estão certas. Eu não entendo assim. Uma diz que Deus ama o Seu povo e que nunca deixará de amá-lo; outra afirma que Ele não amou o Seu povo antes que esse povo O amasse; que umas vezes o ama e outras deixam de amá-lo, e Se afasta deles. Ambas podem ter razão no essencial, porém nunca quando uma diz “Sim” e outra “Não”. Para ver assim necessitaria de um par de óculos, que me capacitassem a olhar para trás e para frente ao mesmo tempo. Não pode ser, senhores, que ambas tenham razão, apesar de que há quem diga que as diferenças não são essenciais.

Este texto diz: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. Não há nada na Bíblia de Deus que não seja grandioso. Vocês nunca pararam alguma vez para ver qual é a religião mais pura? “Oh”, dizem, “nunca nos molestamos com isso. Nós simplesmente vamos aonde nosso pai e nossa mãe foram”. Ah! Essa é certamente uma razão muito profunda. Vocês vão onde seus pais foram. Eu creia que vocês eram pessoas sensatas, e nunca pensei que se deixaram levar pelos outros, em vez de por sua própria convicção. Eu amo meus pais acima de tudo que respira, e o simples fato de que creram que uma coisa é verdade, me ajuda a pensar que o é; porém, eu não lhes segui. Pertenço a uma denominação diferente, e dou graças a Deus por isso. Posso recebê-los como irmãos e irmãs em Cristo, mas nunca pensei que, porque eles foram uma coisa, eu tinha que ser o mesmo. Nada disso. Deus me deu um cérebro e devo utilizá-lo; e se vocês têm algum intelecto, devem usá-lo também.

Nunca digam que não importa. Claro que importa. Tudo quanto Deus escreveu aqui é de importância eminente; Ele jamais teria escrito uma coisa que fosse indiferente. Tudo quanto há aqui tem um valor; portanto, esquadrinhem todos os temas, provem tudo pela Palavra de Deus. Não tenho nenhuma objeção a que tudo o que eu pregue seja provado por este livro. Dêem-me somente um auditório imparcial e nenhum favor especial, e este livro; e se digo algo contrário a ele, retratar-me-ei no domingo seguinte. Por isto me mantenho firme ou caio. Busquem e olhem, porém nunca digam: “Não importa”. Quando Deus diz algo, sempre deve ser importante.

Porém, ainda que todas as coisas na Palavra de Deus sejam importantes, nem tudo é igualmente importante. Há certas verdades vitais e fundamentais que devem ser cridas, ou do contrário o homem não poderá ser salvo. Se querem saber o que é que devem crer para serem salvos, encontrarão as grandezas da lei de Deus entre estas duas capas; todas estão contidas aqui. Como compêndio ou resumo das grandezas da lei, recordo o que um velho amigo meu disse certa vez: “Ah! Pregue os três R’s e Deus sempre te abençoará”. Eu perguntei: “O que são estes três R’s?” E ele me respondeu: “Ruína, Redenção e Regeneração”. Estas três coisas contêm a essência e o todo da teologia. “R” de Ruína. Todos fomos arruinados na queda, todos nos perdemos quando Adão pecou e todos estamos arruinados pelas nossas próprias transgressões; todos estamos arruinados pelos nossos corações perversos, por nossos desejos maus, e todos estaremos arruinados, a menos que a graça nos salve. Então, vêm o segundo “R”, de redenção. Somos redimidos pelo sangue de Cristo, um Cordeiro sem mancha, nem contaminação; somos resgatados por Seu poder, somos redimidos por Seus méritos; e resgatados por Sua força. Continuando, temos o “R” de regeneração. Se quisermos ser perdoados, temos também que ser regenerados, porque ninguém pode ser partícipe da redenção sem ser regenerado. Podemos ser tão bons como queiramos, e servir a Deus segundo o imaginemos, segundo queiramos; porém, se não tivermos sido regenerados, se não temos um coração novo, se não nascemos de novo, ainda estamos na primeira “R”, isto é, na ruína.

Este é um pequeno resumo do Evangelho, porém creio que há um outro melhor nos cinco pontos do calvinismo: Eleição segundo a presciência de Deus, a depravação natural e a pecaminosidade do homem, a redenção particular pelo sangue de Cristo, o chamado eficaz pelo poder do Espírito e a perseverança final pelo poder de Deus. Para sermos salvos, devemos crer nestes cinco pontos; porém não gostaria de escrever um credo como o de Atanásio, que começa assim: “Todo aquele que quiser ser salvo, deverá crer em primeiro lugar na fé católica, a qual é esta”; ao chegar a este ponto, teria que me deter porque não saberia como continuar. Sustento a fé católica da Bíblia, toda a Bíblia e nada mais que a Bíblia. Não me diz respeito elaborar credos; senão que suplico que esquadrinhem as Escrituras, porque elas são a palavra de vida.

Deus disse: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei”. Duvidam de sua grandeza? Crêem que não são dignas da atenção de vocês? Homem, penses por um momento, onde te encontras agora?

“Eis aqui, num estreito pedaço de terra,
Na metade de mares sem limites;
Uma polegada de tempo, o espaço de um momento,
Pode me alojar naquele lugar celestial,
Ou me encerrar no inferno”.

Recordo que uma vez estava na paria, numa estreita faixa de terra, sem me preocupar que a maré pudesse subir. As ondas lavavam constantemente ambos os lados, e envolto em meus pensamentos, permaneci ali por um longo tempo. Quando quis regressar, encontrei-me ante uma dificuldade: as ondas tinham cortado o caminho. Da mesma maneira, todos nos caminhamos cada dia por uma estreita senda, e há uma onda que sobe cada vez mais; vejam, como está perto de seus pés; e, veja! outra se aproxima a cada tic-tac do relógio: “Nossos corações, como surdos tambores, estão redobrando marchas fúnebres a caminho da sepultura”. Cada momento que vivemos é um avanço para a sepultura. Porém, este Livro me diz que, se sou convertido, quando morrer, receberei um céu de gozo e amor; os anjos me esperarão com seus braços abertos, e eu, levado pelas potentes asas dos querubins, ultrapassarei o relâmpago e me elevarei para além das estrelas, ao trono de Deus, para morar ali para sempre.

“ Longe de um mundo de pecado e dor,
Morarei ali sempre com Deus.

Oh!, isto faz com que meus olhos derramem lágrimas quentes, isto faz com que meu coração se torne grande demais para o meu peito, e meu cérebro gire ante um só pensamento de:

“Jerusalém, meu lugar feliz,
Teu nome é sempre doce para mim”.

Oh! essa doce cena mais acima das nuvens; doces campos revestidos de verde vivo e rios de delícia. Não são estas coisas grandiosas? Porém então, pobre alma não regenerada, a Bíblia diz que, se tu estás perdido, tu estás perdido para sempre; disse-te que se morres sem Cristo, sem Deus, não há esperança para ti; que há um lugar sem nenhum raio de esperança, onde lerás gravadas com letras de fogo: “tu conhecias teu dever, porém não o cumpriste”; elas te diz que serás lançado de Sua presença com um: “Apartai de mim, maldito”. Acaso não é grandioso tudo isto? Sim, senhores, assim como o céu é desejável, assim como o inferno é terrível, assim como o tempo é breve, assim como é eternidade infinita, assim como a alma é preciosa, assim como a dor deve ser evitada, assim como o céu deve ser buscado; assim também Deus é eterno e como Suas palavras são certas, estas coisas são grandiosas; são coisas que vocês devem escutar.
III. Nosso último ponto é: O TRATAMENTO QUE A POBRE BÍBLIA RECEBE NESTE MUNDO. A Bíblia é considerada como uma coisa estranha. O que significa a Bíblia ser considerada como uma coisa estranha? Em primeiro lugar, quer dizer que é completamente alheia a muitas pessoas, porque nunca a lêem. Recordo que, em certa ocasião, eu estava lendo a sagrada história de Davi e Golias, e estava uma pessoa presente, de idade avançada, que me disse: “Meu Deus! Que história interessante; em que livro está?”.

Também me vem à memória outra pessoa que, falando comigo em privado, lhe falei acerca de sua alma, e ela me disse quão profundo era seu sentimento, já que tinha enormes desejos de servir ao Senhor, porém encontrava outra lei em seus membros. Eu abri em Romanos e li: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico”. Ela disse: “Isto está na Bíblia? Eu não sabia disso”. Não a culpei por sua falta de interesse na Bíblia até então; porém eu não poderia deixar de me maravilhar em encontrar pessoas que não soubessem nada sobre tal passagem. Ah! Vocês sabem mais acerca dos livros de contabilidade de seus negócios do que sobre a Bíblia; mais acerca dos diários de suas vidas do que sobre o que Deus escreveu. Muitos de vocês podem ler um romance do princípio ao fim, e que proveito tiram disso? Um bocado de pura espuma ao ter terminado.

Porém, não podem ler a Bíblia; este manjar sólido, perdurável, substancioso e que satisfaz, permanece sem ser provado, guardado no armário da negligência; enquanto tudo quando o homem escreve, capturado diariamente, é devorado com avidez. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”. Vocês nunca a leram. Tenho essa dura acusação contra vocês. Talvez vocês respondam que não devo culpar-lhes por uma coisa assim; porém, sempre penso que mais vale ter uma opinião pior de vocês, do que uma demasiadamente boa. Culpo-lhes disto: vocês nunca lêem sua Bíblia. Alguns de vocês nunca a leram completamente, e seu coração lhe diz que o que estou dizendo é verdade. Não sois leitores da Bíblia. Vocês afirmam que têm uma Bíblia em casa: acaso penso que são tão pagãos que não tenham uma Bíblia em casa? Porém, quando foi a última vez que a leram? Como sabem que os óculos que perderam há três anos atrás, não estão na mesma gaveta da Bíblia? Muitos de vocês não têm lido nem uma só página desde há muito tempo, e Deus poderia dizer-lhes: “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém essas são estimadas como coisa estranha”.

Há outros que lêem a Bíblia, porém quando a lêem, dizem que é terrivelmente árida. Aquele jovem que está lá diz que ela é muito “enfadonha”; essa é a palavra que ele usa. Ele diz: “Minha mão me disse: quando for à cidade, leia um capítulo todo dia. E eu prometi para agradá-la. Oxalá não houvesse feito. Não li nenhum capítulo, nem ontem nem antes de ontem. Estive muito ocupado. Não pode evitá-lo”. Tu não amas a Bíblia, não é verdade? “Não, não encontro nela nada interessante”. Ah! isso é o que eu pensava também. Mas, há pouco tempo atrás, eu não podia ver nada nela. Sabes por que? Porque os cegos não podem ver, podem? Porém, quando o Espírito toca as escamas dos olhos, estas caem, e quando Ele põem colírio nos olhos, a Bíblia se torna preciosa.

Recordo de um ministro que foi um dia visitar uma senhora, já anciã, e se propôs de levar-lhe o consolo de algumas das preciosas promessas da Palavra de Deus. Buscando, encontrou na Bíblia da senhora, escrito na margem, um “P”, e perguntou: “Que significa isto?” “Isto quer dizer preciosa, senhor”. Pouco mais adiante descobriu um “P” e um “E”, escritos juntos, e voltou a perguntar seu significado, e ela lhe respondeu: isto quer dizer ‘provada e experimentada’, porque eu já a provei e já a experimentei”. Se vocês já provaram e experimentaram a palavra de Deus, se é preciosa para suas almas, então vocês são cristãos; porém, essas pessoas que desprezam a Bíblia, “não têm parte nem sorte neste assunto”. Se lhes parece árida, vocês estarão áridos no final, no inferno. Se não a estimam como algo melhor que seu alimento diário necessário, não há nenhuma esperança para vocês, porque carecem da maior evidência de seu Cristianismo.

Porém, ah!, ah!, o pior está por vir. Há pessoas que odeiam a Bíblia, e também a desprezam. Acaso temos algumas dessas pessoas aqui? Alguns de vocês disseram: “Vamos ouvir o que o jovem pregador tem a dizer”. Pois bem, isto é o ele tem para vos dizer: “Vede, ó desprezadores, admirai-vos e desaparecei” (Atos 13:41). Isto é o ele tem para vos dizer: “Os ímpios serão lançados no Inferno, e todas as que se esquecem de Deus” (Salmos 9:17). E também tem que vos dizer isto: “Nos últimos dias virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências” (2 Pedro 3:3). Porém mais ainda, lhes diz hoje que se querem ser salvos, devem encontrar a salvação aqui.

Portanto, não menosprezem a Bíblia: esquadrinhe-la, leiam-na, venham até ela. Repouse com certeza, oh zombador, que tuas gargalhadas não podem alterar a verdade, nem tuas zombarias podem te livrar da condenação inevitável. Ainda que em tua dureza fizesses um pacto com a morte e firmasses um trata com o inferno, ainda assim, a veloz justiça te alcançaria, e a poderosa vingança te fulminaria. Em vão zombas e ridicularizas, pois as verdades eternas são mais poderosas que todos teus sofismas; teus engenhosos ditos não podem alterar a verdade divina de uma só palavra deste volume de Revelação. Oh! Por que contende com teu melhor amigo e maltrata teu único refúgio? Ainda há esperança para o zombador. Esperança nas veias do Salvador. Esperança na misericórdia do Pai. Esperança na obra onipotente do Espírito Santo.

Terminarei quando tiver dito mais uma palavra. Meu amigo, o filósofo, diz que é muito bom que eu exorte as pessoas a lerem a Bíblia; porém, ele pensa que há outras muitas ciências grandiosas, mais interessantes e úteis que a teologia. Muito agradecido senhor, por sua opinião. A que ciência você se refere? À ciência de dissecar escaravelhos e colecionar mariposas? “Não, certamente não é a essa”. À ciência de analisar as rochas e de tomar mostras da terra e falar-nos de seus diferentes extratos? “Não, tampouco a essa precisamente”. À que ciência, pois? Ele me responde: “Todas as ciências em geral são mais importantes que a Bíblia”. Ah! senhor, essa é sua opinião, e fala dessa maneira porque estás longe de Deus. Pois a ciência de Jesus Cristo é a mais excelente das ciências. Que ninguém deixe a Bíblia porque não é um livro culto e de sabedoria. Ela o é. Querem saber de astronomia? Aqui está: Ela fala do Sol da Justiça e da Estrela de Belém. Querem saber de botânica? Aqui está: Ela fala de algumas de renome: o Lírio dos Vales e a Rosa de Saron. Querem saber de geologia e mineralogia? Podem aprender isso na Bíblia: podem ler acerca da Rocha dos Séculos e da Pedrinha Branca com um novo nome gravado, o qual ninguém conhece, senão aquele que o recebe. Querem estudar história? Aqui estão os anais mais antigos do gênero humano. Qualquer que seja a ciência de que se trate, venham e busquem-na neste livro. Essa ciência está aqui. Venham e bebam desta formosa fonte de conhecimento e sabedoria, e descobrirão que serão feitos sábios para salvação. Sábios e ignorantes, crianças e homens, cavalheiros de cabelos brancos, jovens e moças — a vocês falo, lhes peço e lhes suplico: respeitem suas Bíblias e esquadrinhem-nas, porque nelas vós pensais ter a vida eterna, e são elas que dão testemunho de Cristo.

Terminei. Voltemos para casa e ponhamos em prática tudo quanto ouvimos. Conheço uma senhora que, quando lhe foi perguntado sobre o que recordava do sermão do pastor, disse: “Não recordo nada do mesmo. Era sobre pesos falsos e medidas fraudulentas, e eu não recordo nada, exceto de que quando cheguei em casa, tive que queimar minhas medidas de grão”. Assim, se vocês recordarem, quando chegarem em suas casas, de queimar suas medidas de grão; se recordarem, quando chegarem em suas casas, de lerem a Bíblia, eu terei dito o suficiente. Queira Deus, em Sua infinita misericórdia, quando lerem a Bíblia, por em suas almas os raios iluminadores do Sol da Justiça, pela obra do sempre adorável Espírito; deste modo, tudo quanto lerem será de proveito e para salvação.

Podemos dizer da BÍBLIA:

“És o gabinete do conselho revelado de Deus!
Onde venturas e angústias estão de tal maneira ordenadas
Que todo homem sabe o que lhe corresponderá
Exceto por seu próprio erro ou falsa aplicação

És o índice da eternidade.
Não poderá deixar de receber a eterna felicidade.
Quem se guie por este mapa,
Nem pode se equivocar quem fale por ele.

É o livro de Deus. Quero dizer
É o Deus dos livros, e peço que aquele que olhe
Com ira para essa expressão, como muito ousada,
Abafe seus pensamentos em silêncio, até encontrar outra”.

NOTAS DO TRADUTOR:

[1] – Latitudinarismo: liberdade de opinião, especialmente em assuntos pertencentes às crenças religiosas.


Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Novembro de 2004.

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Proclamando o Evangelho Genuíno de CRISTO JESUS, que é o poder de DEUS para salvação de todo aquele que crê.

Desistir

9 de dezembro de 2009 Deixe um comentário

Desistir

 

1. As tribulações diante da palavra de Deus

1.1. Nunca podemos desistir do Amor de Deus

1.1.1. As dificuldades do dia a dia na vida do Cristão (Salmos, 13: 1)

1.1.2. A desistência e seus reflexos em nossas vidas (II Coríntios, 4: 16-17)

1.1.3. Cuidado com as mentiras que podem ser plantadas em nossos corações (I João, 3: 19-20)

1.1.4. Quem deve desistir são os demônios, pois somos mais que vencedores (II Reis, 6: 23)

1.1.5. Se for para desistir de algo, que seja em obediência à palavra de Deus (II Crônicas, 11: 4)

1.1.6. Deus tem misericórdia de nós e, por isso, poderá desistir de sua ira (Jeremias, 26: 13)

1.1.7. Deus deve ser o nosso repositório de energia (Colossenses, 1: 11-12)

1.1.8. A glória de Deus habitará aqueles que não desistirem ()

 

 

1. As tribulações diante da palavra de Deus (João, 16: 33)

 

“Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João, 16: 33).

 

 

1.1. Nunca podemos desistir do Amor de Deus (Romanos 8: 39)

“… nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8: 39).

1.1.1. As dificuldades do dia a dia na vida do Cristão (Salmos, 13: 1)

O que devemos fazer quando temos vontade de desistir (seja honesto com Deus sobre os seus sentimentos) ?

Salmos 13:1 “Até quando, ó Senhor, te esquecerás de mim ? para sempre ? Até quando esconderás de mim o teu rosto ?”

1.1.2. A desistência e seus reflexos em nossas vidas (II Coríntios, 4: 16-17)                  

Quando desistimos, frequentemente perdemos o melhor que Deus tem para oferecer.

2 Coríntios 4:16-17 “Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus”.

1.1.3. Cuidado com as mentiras que podem ser plantadas em nossos corações (I João, 3: 19-20)

Nosso coração pode nos enganar e nos dizer que é para desistir. Talvez tenhamos tal sentimento porque pecamos e nos achamos menos indigno ainda do amor de Deus e, por esta razão, nosso coração nos fala que NÃO ADIANTA BUSCAR A SANTIDADE e que não merecemos andar nos caminhos do Senhor Jesus.

Indignos ! sempre seremos, mas nem por isso Deus deixa de derramar suas graças em nosso favor. Não merecemos, mas mesmo assim, sua misericórdia nos agracia porque Ele é Misericordioso.

Isso não quer dizer que: porque Ele é misericordioso devamos nos afastar de Sua Palavra ! Não ! Muito pelo contrário: DEVEMOS HONRAR SUA MISERICÓRDIA sempre procurando agradá-lo. Não que Ele precise, mas nós sim: precisamos !

1 João 3:19, 20 “Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranqüilizaremos o nosso coração; porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas”.

“… e Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, lhe assistia, e perguntaram: Tornaremos ainda a sair à pelejar contra os filhos de Benjamim, nosso irmão, eu desistiremos ? Respondeu o Senhor: Subi, porque amanhã vo-los entregarei nas mãos” (Juízes, 20: 28).

1.1.4. Quem deve desistir são os demônios, pois somos mais que vencedores (II Reis, 6: 23)

“Preparou-lhes, pois, um grande banquete; e eles comeram e beberam; então ele os despediu, e foram para seu senhor. E as tropas dos sírios desistiram de invadir a terra de Israel” (II Reis, 6: 23).

Ora ! os demônios se afastam daquele que está preenchido pelo Espírito Santo de Deus porque já sabem que somos vitoriosos.

“Crês tu que Deus é um só ? Fazes bem; os demônios também o crêem, e estremecem” (Tiago, 2: 19).

1.1.5. Se for para desistir de algo, que seja em obediência à palavra de Deus (II Crônicas, 11: 4)

“Assim diz o Senhor: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos; volte cada um à sua casa, porque de mim proveio isto. Ouviram, pois, a palavra do Senhor, e desistiram de ir contra Jeroboão” (II Crônicas, 11: 4).

Desistir só vale a pena se for para obedecer aos mandamentos de Deus.

Muitas vezes, estamos com o coração cheio de magoas e nossa rebeldia produz a vontade insensata de fazer coisas que desagradam a Deus. Assim, diante dessas circunstâncias, devemos DESISTIR DE FAZER O MAL, uma vez que não agradará o Senhor.

1.1.6. Deus tem misericórdia de nós e, por isso, poderá desistir de sua ira (Jeremias, 26: 13)

“Agora, pois, melhorai os vossos caminhos e as vossas ações, e ouvi a voz do Senhor vosso Deus, e o Senhor desistirá do mal que falou contra vós” (Jeremias, 26: 13).        

Ao agirmos em contrariedade à Palavra de Deus, estamos pecando e, por isso e dependendo da gravidade do pecado ou da desobediência à Sua vontade, podemos estar sujeitos à ira de Deus ou, então, à sua correção.

Deus pode deixar de nos castigar com sua ira se nos arrependermos de nossos erros e voltarmos a ser obedientes, pois ELE É MISERICORDIOSO.

Em nos corrigindo, está Ele a nos ensinar qual o caminho certo, pois quem ama, CORRIGE (Hebreus, 12: 6).

1.1.7. Deus deve ser o nosso repositório de energia (Colossenses, 1: 11-12)

Deus promete-nos fortaleza quando necessitamos.

Colossenses 1:11-12 “Corroborados com toda a fortaleza, segundo o poder da sua glória, para toda a perseverança e longanimidade com gozo; dando graças ao Pai que vos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz”.

Seduzidos pela Feitiçaria Chique

15 de novembro de 2009 Deixe um comentário

 

Seduzidos pela Feitiçaria Chique

In Estudo Bíblico, Mensagens on 30 30UTC Outubro 30UTC 2009 at 10:58 102009Fri, 30 Oct 2009 10:58:50 +0000am50

 

“Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus” (3 João 11).

Fiquei sabendo de uma festa de aniversário de uma pré-adolescente, filha de um grã-fino da alta sociedade inglesa, em que o tema foi “a feitiçaria”. “Chique, não é mesmo?”, sentenciavam alguns convidados.

Fiquei curioso e li mais sobre a matéria: muitos estavam fantasiados de personagens de vários seriados de TV, que defendem a bruxaria, outros de monstros e, claro, de Harry Potter e sua turma. Era tudo em um estilo elegante e havia até “zumbis”. Não, não, a festa não ocorreu em uma santería cubana, nem em um terreiro de candomblé brasileiro e, tampouco, em uma casa de vodu haitiano. Esse fetichismo infantil foi realizado em uma casa luxuosa em Londres, com direito até a manobrista à porta para estacionar os carrões dos figurões que traziam seus filhos.

Hoje em dia, os feiticeiros estão presentes em inúmeros lugares: fantasiados nas ladeiras da cidade de Olinda durante o carnaval, nas telinhas das TVs e nos protestos globalizados pela paz mundial. Eles estão lá… muitas vezes tímidos freqüentadores de covens (grupos de pessoas que estudam e praticam a bruxaria) em sítios distantes dos centros urbanos. Outras vezes, exibidos e provocando aqueles que passam ao largo (com a mesma desenvoltura das prostitutas do “Bairro da Luz Vermelha”, em Amsterdã).

A visibilidade deles se traduz como um novo status social – o da “feitiçaria chique”!

Em nossos dias, fetiches marcam culturalmente a identidade dos nossos adolescentes, mas afetam também suas vidas espirituais em pelo menos dois aspectos:

1. Familiarizando-se com o paganismo

Nossos adolescentes passaram a ser indiretamente apresentados ao ocultismo. Por exemplo, no livro e no filme Harry Potter e A Pedra Filosofal, aparece um cachorrão de três cabeças chamado “Fofo”, que protege a entrada de uma câmara onde está contida a pedra filosofal. Qualquer um pode até presentear crianças com esse “Fofo” – ele está à venda, em pelúcia, em várias lojas nos shopping centers. As crianças podem levá-lo para casa e até dormir com ele nas suas próprias camas.

Coincidência ou não, na mitologia grega somos apresentados a “Cerberus”, também um cachorrão de três cabeças que protege a entrada do Hades. Ambos, “Fofo” e “Cerberus”, ficam calmos ao som de música. Nossos adolescentes, quando estudarem sobre “Cerberus”, na mitologia grega, vão se lembrar do “Fofo” de Harry Potter. “Cerberus”, porém, mata pessoas e não é, de forma alguma, uma criatura agradável. Chique? Claro que não. Tenebroso? Sim senhor!

A Bíblia nos adverte sobre o perigo de confundir o que é reto e luminoso com o que é perverso e escuro: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Isaías 5.20).

2. Criando fantasias pagãs no imaginário das adolescentes

A cultura adolescente está sendo bombardeada pela bruxaria. Antes mesmo de surgir Harry Potter, elas já podiam assistir o filme Jovens Bruxas (1996). Ele tratava de jovens bruxas colegiais que acabam brigando entre si – é a “boa” contra a “má” bruxaria. Segundo a Bíblia, porém, bruxaria é sempre bruxaria, independente de ser “boa” ou “má”, e é algo que devemos evitar.

Se a adolescente possui televisão a cabo, aí mesmo é que ela pode ser influenciada ou iniciada diariamente na feitiçaria e no modo de vida da wicca (nome moderno da bruxaria). Há vários seriados onde as heroínas são bruxas adolescentes bonitas e agradáveis: Sabrina, Aprendiz de Feiticeira; Charmed; Buffy, a Caça-Vampiros, entre outros.

“Ser bruxa é chique e legal”, fantasiam nossas adolescentes após assistirem tais seriados. Muitas vezes querem imitá-las, procuram mudar de identidade para serem mais aceitas pela sua turma, entusiasmam-se e passam a ler mais e a estudar com afinco sobre a wicca. Ninguém precisa mais caçar bruxas, elas estão na nossa vizinhança e, às vezes, na nossa própria família. Muitas crianças estão cegas e sendo iniciadas prematuramente no paganismo através de filmes, jogos, modas, TV, internet e muitos livros de incentivo à bruxaria.

Conclusão

Satanás é um vampiro da psique humana. Ele nos seduz, ilude e depois mata. Na Bíblia Sagrada, feitiçaria é uma espiritualidade associada às obras da carne e jamais à vida no Espírito. Lemos: “não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (Gálatas 5.20-21).

Portanto, é das mentes dos nossos adolescentes que o inimigo quer se apossar. O Diabo quer desestabilizar a lucidez espiritual dos nossos jovens e plantar nas mentes mais frágeis o interesse, ainda que aparentemente ingênuo, pela “chiquérrima” espiritualidade wiccana.

Assim sendo, cientes de que nossos filhos podem estar sendo indiretamente aprendizes de feiticeiros e que estamos vendo uma nova geração de cananeus chiques surgindo no planeta, não temos tempo a perder!

Inculquemos nas nossas mentes e nas dos nossos filhos o amor genuíno por Deus e, “finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe os vosso pensamento” (Filipenses 4.8). (Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costa).

Fonte: http://www.chamada.com.br

O MAIOR SEGREDO DO DIABO

22 de outubro de 2009 Deixe um comentário

 

O MAIOR SEGREDO DO DIABO

BXP26159 

Por Ray Comfort
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Tradução de Fernando Guarany Jr. 

No final dos anos 70, Deus muito graciosamente abriu-me um ministério itinerante. Conforme comecei a viajar, passei a ter acesso aos registros de crescimento das igrejas e fiquei horrorizado ao descobrir que algo perto de 80 a 90% das pessoas que tomavam uma decisão por Cristo estavam desviando-se da fé. Ou seja, o evangelismo moderno, com seus métodos estava criando entre 80 e 90 “desviados” para cada 100 pessoas que se decidiam por Jesus.

Deixem-me tentar tornar a questão mais real para vocês. Em 1991, no primeiro ano da década da colheita, uma grande denominação nos Estados Unidos foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Isto é, em um ano, esta grande denominação de 11.500 igrejas foi capaz de obter 294.000 decisões por Cristo. Infelizmente, passado algum tempo apenas contavam com 14.000 destes congregando, o que significa que eles já não podiam prestar contas por 280.000 das decisões alcançadas. E estes são resultados normais do evangelismo moderno e, algo que descobri no final dos anos 70; Algo que me preocupou muito. Comecei a estudar o Livro de Romanos diligentemente e, especificamente, a maneira de proclamação do Evangelho de homens como Spurgeon, Wesley, Moody, Finney, Whitefield, Lutero, entre outros, que Deus tem usado através dos tempos, e descobri que eles usavam um princípio que é quase totalmente negligenciado pelos métodos evangelísticos modernos. Comecei a ensinar este princípio; Providencialmente, fui convidado para instalar o nosso ministério na cidade de Bellflower no sul da Califórnia, especificamente para trazer este ensinamento para a igreja dos Estados Unidos. As coisas andaram devagar nos primeiros três anos, até que recebi uma ligação de Bill Gothard, que havia assistido a mensagem em vídeo. Ele pagou minha passagem de avião até San Jose no norte da Califórnia; Lá, compartilhei a mensagem com 1000 pastores. Então, em 1992, ele exibiu o vídeo daquela pregação para 30.000 pastores. No mesmo ano, David Wilkerson me telefonou de Nova Iorque. Ele ligou do seu carro. (estava ouvindo a mensagem em seu carro e me ligou do próprio telefone do seu carro!) Imediatamente, ele me colocou em um vôo de Los Angeles para Nova Iorque para compartilhar o mesmo ensinamento com a sua igreja – de tão importante que considerou a mensagem. Recentemente, ouvi falar de um pastor que escutou esta mensagem 250 vezes. Ficaria feliz se você ouvisse pelo menos uma vez este ensinamento que se chama: “O Maior Segredo do Diabo.”

A Bíblia diz no Salmo 19, versículo 7, “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” O que é mesmo que a Bíblia diz que é perfeita e, no final das contas, converte a alma? Ora, as Escrituras deixam bem claro: “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” Agora, para ilustrar a função da Lei de Deus, vamos observar por um instante a Lei Civil. Imagine se eu dissesse a você: “Tenho boas novas para você: alguém acabou de pagar uma multa de trânsito no valor de R$ 25.000,00 para você!” Provavelmente você reagiria dizendo: “O que você está dizendo? Essas não são boas novas! Isso [que você está dizendo] não faz o menor sentido. Não tenho uma multa de trânsito de R$ 25.000,00!” As minhas boas novas não seriam boas novas para você: pareceria tolice! Mas, além disso, seria uma ofensa, porque eu estaria insinuando que você havia cometido um crime (quebrado a lei) quando você pensa não ter feito tal coisa. Entretanto, se colocar a situação da seguinte maneira, ela fará mais sentido: “No caminho para cá, um radar da polícia (a lei) pegou você a 160 quilômetros por hora em uma área reservada para uma convenção de crianças deficientes visuais. Havia dez avisos claros que a velocidade máxima era de 60 quilômetros por hora, mas você passou por ali ”voando” a uma velocidade de 160 km/h. O que fez foi muito perigoso e, portanto, a multa de R$ 25.000,00 era justa. A lei estava por ser aplicada quando alguém que você nem mesmo conhece entrou em cena e pagou a sua multa. Você realmente é um felizardo!”

Vejam que ao explicarmos precisamente o que foi feito de errado primeiro, fazemos com que as boas novas verdadeiramente tenham sentido. Se eu não mostrar claramente que o indivíduo violou a lei, então as boas novas parecerão tolice e serão recebidas como uma ofensa. Mas, a partir do momento que entender que quebrou a lei, então as boas novas se tornarão boas novas de fato!

Assim, da mesma maneira, se eu abordar um pecador impenitente e disser: “Jesus Cristo morreu na cruz por seus pecados”, isso soará como tolice e o ofenderá. Tolice porque não fará sentido. A Bíblia diz que: “A pregação da cruz é tolice para aqueles que perecem.” (1 Cor 1:18). E também será ofensivo porque estaremos insinuando que o indivíduo é um pecador quando ele acha que não o é! Porque, até onde ele tem conhecimento, existem muitas pessoas piores do que ele. Contudo, se eu dedicar tempo para seguir os passos de Jesus, a mensagem fará mais sentido. Se eu dedicar tempo para abrir a Lei Divina, os Dez Mandamentos, e mostrar ao pecador precisamente o que ele fez de errado, como tem ofendido a Deus ao violar a Sua Lei, então, quando ele estiver, conforme diz Tiago, “convencido pela Lei como transgressor” (Tiago 2:9) as boas novas da multa sendo paga não parecerão tolice, mas serão “o poder de Deus para salvação” (Romanos 1:16).

Agora, tendo em mente estes pensamentos como introdução, vamos ver o que diz Romanos 3:19. Vamos analisar algumas das funções da Lei de Deus para a humanidade. Romanos 3:19 diz assim: “Agora, pois, sabemos que o que quer que a Lei diga, ela diz para aqueles que estão debaixo da lei, para que toda boca seja calada e todo o mundo torne-se culpado diante de Deus.” Então, uma função da lei de Deus é calar a boca. Fazer os pecadores pararem de se justificar e dizer: “Ah, tem muita gente pior do que eu. Eu não sou uma má pessoa, não!” Ou seja, a lei cala a boca da justificativa e deixa o mundo inteiro , e não apenas os Judeus, culpado diante de Deus.

Romanos 3:20 diz assim: “Portanto pelos feitos da Lei nenhuma carne será justificada à Sua vista: porque pela Lei vem o conhecimento  do pecado.” Então, a Lei de Deus nos informa o que significa pecado. 1 João 3:4 diz: “Pecado é a transgressão da Lei.” Romanos 7.7 afirma: “O que diremos então?” diz Paulo, “É a lei pecado? De modo nenhum, eu não conheci o pecado senão pela Lei.” O que Paulo está dizendo aqui simplesmente é: “Eu não sabia o que era o pecado até a Lei me ensinar.” Gálatas 3.24 afirma: “De modo que a Lei se tornou nosso aio [professor], para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.”  A lei de Deus age como um professor para nos trazer a Cristo para que possamos ser justificados pela fé em Seu sangue. Assim, a Lei não nos ajuda, ela apenas nos mostra nossa impotência. Ela não nos justifica, ela apenas nos deixa culpados diante do julgamento de um Deus santo.

A tragédia do evangelismo moderno é que, na virada do século XX, quando a lei de Deus foi abandonada e desprezada em sua capacidade de converter a alma, de conduzir os pecadores a Cristo, os defensores do evangelismo moderno tiveram que encontrar outra razão para os pecadores responderem ao evangelho. A maneira que os evangelistas modernos encontraram para atrair tais pecadores foi a estratégia da “melhoria na qualidade de vida.” O Evangelho foi degenerado para algo como: “Jesus Cristo vai te dar paz, alegria, amor, realização pessoal e felicidade duradoura.” Agora, para ilustrar a natureza anti-bíblica deste ensinamento tão popular, gostaria que vocês escutassem com bastante atenção a seguinte anedota, pois a essência do que estou ensinando baseia-se nesta historinha que vou contar. Então, por favor, escutem atentamente:

Dois homens estão sentados em um avião. Ao primeiro é dado um pára-quedas e é orientado a colocá-lo, pois, o pára-quedas melhoraria a qualidade do seu vôo. Ele fica um tanto cético no início porque não consegue ver como o fato de usar um pára-quedas em um avião poderia melhorar a qualidade de seu vôo. Porém, depois de certo tempo, ele decide experimentar para ver se o que lhe havia sido dito era mesmo verdade. Então, quando ele coloca o pára-quedas, ele nota o peso sobre seus ombros e descobre que tem dificuldade para sentar-se direito. Mesmo assim, não tira o pára-quedas de imediato, pois se consola com o fato de que lhe foi dito que o pára-quedas melhoraria o seu vôo. Assim, ele decide dar um tempinho para ver se a tal coisa funciona mesmo. Enquanto espera, percebe que alguns dos outros passageiros estão rindo dele, pelo fato de ele estar usando um pára-quedas em pleno vôo. Ele começa a sentir-se um tanto humilhado. Quando os outros passageiros começam a apontar e rir dele, ele não agüenta mais! Então, encolhe-se em sua poltrona e arranca o pára-quedas, jogando-o ao chão. Desilusão e amargura preenchem o seu coração, pois, pelo que parece, contaram-lhe uma mentira absurda!
O segundo homem também recebe um pára-quedas, mas escutem só o que lhe é dito: “Coloque este pára-quedas, pois a qualquer momento você terá que saltar deste avião e nós estamos a 25.000 pés de altura.” Ele fica muito agradecido e coloca logo o pára-quedas; Nem percebe o peso do objeto sobre seus ombros, muito menos se incomoda com o fato de que não consegue sentar-se direito, pois sua mente está consumida pelo pensamento do que aconteceria se saltasse sem o pára-quedas.
Vamos analisar o motivo e o resultado da experiência de cada um dos passageiros. O motivo do primeiro homem para colocar o pára-quedas foi apenas para melhorar a qualidade de sua viagem. O resultado da experiência foi que ele se sentiu humilhado pelos passageiros, ficou desiludido e bastante amargurado em relação àqueles que lhe deram o pára-quedas. Ele precisará de um longo tempo para recuperar-se da experiência e, possivelmente, nunca mais vai aceitar uma coisa daquelas novamente. O segundo homem colocou o pára-quedas simplesmente para escapar do salto para morte e, devido ao conhecimento do que aconteceria se saltasse despreparado, ele tem uma profunda alegria e paz no coração, pois sabe que será salvo de uma morte certa e terrível. Tal conhecimento dá-lhe a habilidade de suportar o escárnio dos outros passageiros. Sua atitude em relação a quem lhe ofereceu o pára-quedas é de profunda gratidão.
Agora, escutem o que os métodos de evangelismo moderno dizem. Eles dizem assim: “Coloque o Senhor Jesus Cristo. Ele te dará amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade duradoura.” Em outras palavras, “Jesus melhorará a sua viagem.” Dessa maneira, o pecador responde ao apelo de um modo experimental e “coloca” o Senhor Jesus para ver se a “propaganda” é verdadeira. E o que vem sobre ele? Tentação, tribulação e perseguição. Os outros passageiros escarnecem dele. O que ele faz, então? Arranca o Senhor Jesus e joga ao chão, pois se sente ofendido por causa da Palavra (Marcos 4.17). Ficou desiludido e bastante amargurado, e com razão. Pois, prometeram-lhe paz, alegria, amor, realização e felicidade duradoura, e tudo o que conseguiu foram provações e humilhação. Então, ele passa a apontar sua amargura em direção àqueles que lhe deram as tão famosas “boas novas”. Seu último estado é pior do que o primeiro: outro desviado inoculado e amargurado.

Santos, ao invés de pregar que Jesus melhora a qualidade do vôo, nós deveríamos estar alertando os passageiros que eles terão que pular do avião. Ou seja, “que está determinado ao homem morrer uma só vez, e que depois disto virá o julgamento.” (Hebreus 9:27). E aí, quando o pecador entender as horríveis conseqüências por quebrar a Lei de Deus, ele correrá para os braços do Salvador para escapar da ira vindoura. E se formos testemunhas verdadeiras e fiéis, é isso que deveremos pregar: que existe uma ira vindoura; que Deus “ordena a todas as pessoas em todos os lugares que se arrependam” (Atos 17:30). Por que se arrepender? “Porque Ele estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça” (vs. 31). Entenda que não é uma questão de felicidade, mas sim de justiça. Não importa o quanto o pecador possa estar sendo feliz ou o quanto ele possa estar aproveitando “os prazeres passageiros do pecado” (Hebreus 11.25), sem a justiça de Cristo, ele perecerá no dia da ira. “De nada aproveitam as riquezas no dia da ira; porém a justiça livra da morte.” (Provérbios 11.4). Paz e alegria são frutos legítimos da salvação, mas não é legítimo usar tais frutos como propaganda para a salvação. Se persistirmos em fazer isso, os pecadores responderão à mensagem com um motivo impuro, desprovidos de arrependimento.

Agora, vocês conseguem lembrar porque o segundo passageiro tinha alegria e paz no coração? Era porque ele sabia que o pára-quedas ia salvá-lo da morte certa. E como crente, como Paulo diz, eu tenho “alegria e paz em crer” (Romanos 15:13), porque sei que a justiça de Cristo me livrará da ira vindoura.

Agora, com esses pensamentos em mente, vamos analisar com cuidado um incidente a bordo do avião. Aparece uma aeromoça novata. Ela carrega uma bandeja com café fervendo. É o seu primeiro dia de trabalho. Ela quer que este dia fique marcado na mente dos passageiros, e consegue seu intento, pois conforme está andando pelo corredor, tropeça e despeja café quente no colo do nosso segundo passageiro. Qual a reação dele ao sentir o líquido fervente queimar a sua pele? Será que ele grita: “Aaaaaii! Que dor!”? Sim, ele sente a dor. Mas será que arranca o pára-quedas e o joga ao chão? Será que ele esbraveja dizendo: “Droga de pára-quedas!”? Não. Por que ele faria isso? Ele não colocou o pára-quedas para melhorar a qualidade de seu vôo. Ele colocou para salvá-lo da morte certa. Por isso, o incidente faz com que se agarre ainda com mais força ao pára-quedas e mal consiga esperar a hora de saltar.

Então, se “colocarmos” o Senhor Jesus pelo motivo correto, isto é, para escapar da ira vindoura, quando vier a tribulação, quando o vôo ficar turbulento, nós não ficaremos com raiva de Deus e nem perderemos nossa paz e alegria. Por que faríamos isto? Não aceitamos Jesus para melhorar nosso estilo de vida: nós o aceitamos para fugir da ira vindoura. Portanto, ao invés de nos levar à ira, a tribulação conduz o verdadeiro crente para mais perto do Salvador. Infelizmente, temos literalmente multidões de pessoas que se professam Cristãos, mas que perdem sua alegria e paz quando o vôo fica turbulento. Por quê? Porque são produto de um evangelho humanista. Estes crentes vêm a Jesus sem arrependimento, sem o qual não há salvação.

Recentemente, estive na Austrália ministrando e… – a propósito a Austrália é um pequeno país na costa da Nova Zelândia – …preguei sobre pecado, a Lei, justiça, santidade, julgamento, arrependimento e inferno, e não me surpreendi com a quantidade de pessoas que quiseram “entregar seus corações a Jesus”. Na verdade, o ambiente ficou muito tenso. Depois do evento, disseram-me: “Há um jovem rapaz lá atrás que quer entregar sua vida a Cristo.” Eu fui lá e encontrei um jovem que nem conseguia fazer a oração de entrega, de tão desesperadamente que chorava. Aquilo para mim foi muito encorajador, pois, por muitos anos, sofri de “frustração evangélica”. Eu queria tanto que os pecadores respondessem ao Evangelho egocêntrico que eu pregava. A essência do que pregava era mais ou menos o seguinte: “Você nunca encontrará a paz verdadeira sem Jesus Cristo; você tem um grande vazio em seu coração que só mesmo Deus pode preencher.” Eu pregava Cristo crucificado e, só no finalzinho, pregava arrependimento. Quando alguém respondia ao apelo, eu abria um dos meus olhos e pensava: “Ah, não! Esse cara quer dar o seu coração a Jesus, mas há uma probabilidade de 80% de ele vir a desviar-se. Estou cansado de criar desviados. Preciso ter certeza de que ele sabe mesmo o que está fazendo. É melhor que esteja sendo sincero!” Assim, me aproximaria do rapaz com um espírito da Gestapo Nazista. Chegaria bem pertinho dele e diria: “O que focê querr?” Ele diria: “Estou aqui para tornar-me um cristão.” Eu argumentaria: “Tem certeza?” Ele responderia: “É. Tenho.”, Eu tornaria a perguntar: “Você tem realmente certeza?”. Ele diria: “É. Podes crer.” “Tá certo, vou orar com você, mas é melhor que você ore com sinceridade,  do fundo do seu coração. Agora repita esta oração comigo! ‘Ó, Deus, eu sou um pecador’” Ele dizia: “Ah, é… Deus, eu sou um pecador!” No que eu pensava: “Por que será que não há nenhum sinal claro de quebrantamento. Não há sinal visível de que este jovem possa estar no seu íntimo realmente arrependido de seus pecados” Foi então, que entendi qual era o motivo: ele estava sendo 100% sincero. Ele estava tomando sua decisão de todo o seu coração. Ele sinceramente queria dar uma experimentada neste Jesus para ver no que dava. Já tinha experimentado sexo, drogas, materialismo, álcool. Ele pensava assim: “Já experimentei uma porção de coisas na vida. Por que então não experimentar esse tal de Jesus para ver se Ele é tudo isso mesmo que esses crentes dizem que ele é: alegria, amor, realização, felicidade duradoura.” O jovem não estava ali para fugir da ira vindoura, pois eu não tinha pregado que havia ira alguma por vir! Isso estava fazendo uma falta terrível nas minhas mensagens. O jovem não estava quebrantado, pois ele nem mesmo sabia o que era o pecado. Lembram de Romanos 7:7? Paulo disse que não conheceu o pecado senão pela Lei. Como alguém pode a vir a searrepender se nem mesmo sabe o que é o pecado? Então, qualquer coisa que nós venhamos a chamar de arrependimento vem a ser algo que chamo de arrependimento horizontal. A pessoa sente remorso por ter mentido para as pessoas, roubado das pessoas, etc. Mas, quando David pecou com Bate-Seba e quebrou todos os Dez Mandamentos de uma só vez – quando cobiçou a mulher do próximo, viveu uma mentira, roubou a mulher do próximo, cometeu adultério, desonrou seus pais e, portanto, desonrou a Deus – ele não disse: “Eu pequei contra Urias” O que ele disse foi: “Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que era mal à Tua vista.” (Salmo 51:4). Quando José foi tentado sexualmente, ele disse: “Como poderia eu fazer tal coisa e pecar contra Deus?” (Gênesis 39:9). O filho pródigo disse: “Eu pequei contra o Céu” (Lucas 15:21). Paulo pregava “arrependimento para com Deus (Atos 20:21). E a Bíblia diz: “A tristeza segundo Deus produz arrependimento” (2 Coríntios 7:10). Então, quando a pessoa não entende que o pecado é primariamente vertical, ela simplesmente conseguirá exercitar arrependimento superficial, experimental e horizontal –  e se desviará quando vierem a tribulação, a tentação e a perseguição.

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.” Agora, gostaria que vocês fizessem algo incomum. Não vou fazê-los passar vergonha. Dou minha palavra. Mas, gostaria de perguntar-lhes quantos de vocês estavam pensando em outra coisa enquanto eu estava lendo a citação de A.B. Earl. Quero admitir algo para vocês. Eu mesmo estava pensando em outra coisa enquanto lia a citação! Sabem o que estava pensando? “Ninguém está me ouvindo. Eles estão pensando em outra coisa.” Então, para ressaltar um ponto importante, gostaria que vocês fossem realmente honestos comigo. Se você estava pensando em outra coisa e não faz a menor idéia do que A.B. Earl disse, levante sua mão bem alto, bem alto. Geralmente, uns 70% das pessoas levantam a mão. Vamos lá, estamos quase nos 70%. Muito bem, pastor, obrigado, por sua honestidade.

A.B. Earl foi um famoso evangelista do século XIX que teve mais de 150.000 convertidos para substanciar suas afirmações. Satanás não quer que vocês escutem o que eu estou dizendo, então, prestem bastante atenção.

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.”

É mais ou menos assim: tente salvar alguém de se afogar quando a pessoa não acredita estar se afogando e veja se ela vai ficar muito contente com você. Você a vê no lago e pensa: “Acho que ela está se afogando. Sim, acho que está se afogando mesmo.” Aí, você pula na água e a arrasta até a areia sem dizer coisa alguma. Ela não ficará muito contente com você, pode ter certeza. Ela não vai querer ser salva até ver que está correndo perigo. Da mesma forma, os pecadores não fugirão da ira vindoura sem antes a enxergarem!

Veja bem: se você viesse a mim e dissesse: “Olha, Ray. Isso aqui é a cura para o Mal de Groaninzin. Vendi minha casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio. Tome. É um presente para você”. Provavelmente eu reagiria assim: “O que? Cura para o que? Mal de Groaninzin? Você vendeu sua casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio? E está me dando de presente? Ora, muito obrigado. Tchau… Esse cara é louco.” Sabe, essa seria provavelmente a maneira como eu reagiria se você vendesse sua casa para comprar o remédio para me curar de uma doença da qual jamais ouvi falar. Ainda mais se viesse oferecê-lo a mim gratuitamente – acharia você muito estranho.

Mas, se ao invés disso, você chegasse a mim e dissesse: “Ray, você está com o Mal de Groaninzin. Já consigo ver dez claros sintomas em sua pele. Você morrerá em duas semanas.”, eu me convenceria de que tinha a doença (já que os sintomas eram tão evidentes) e diria: “Oh! O que farei agora?” Nisso, você responderia: “Não se preocupe. Tenho aqui a cura para sua doença. Vendi minha casa para comprar este remédio. Tome. É um presente para você.” Nessa situação, eu não desprezaria seu sacrifício. Ao contrário, ficaria grato e tomaria posse dele. Por quê? Porque, ao enxergar a doença que me consumia, desejei a cura.

Lamentavelmente, o que tem acontecido nos Estados Unidos e no Mundo Ocidental é que temos pregado a cura sem primeiro convencermos da doença. Temos pregado o Evangelho da graça sem primeiro convencer os pecadores da Lei, ou seja, que são transgressores. Como conseqüência desta pregação, que oferece a graça primeiro, quase todas as pessoas que tento evangelizar no sul da Califórnia e no Cinturão Bíblico já “nasceram de novo” umas seis ou sete vezes.  Quando digo: “Você precisa entregar sua vida a Jesus Cristo.” A resposta que sai quase que instantaneamente é: “Ah, já fiz isso quando tinha sete, onze, dezessete, vinte e três, vinte e oito, trinta e dois anos de idade…” Na hora, você sabe que o indivíduo não é Cristão. Ele é um fornicador. É um blasfemo, mas acha que é salvo porque “nasceu de novo”. O que está acontecendo? Ele está usando a graça de nosso Deus para dar ocasião à carne. Não reconhece nem estima o sacrifício de Jesus. Para ele, não há nada de mais em pisar o sangue de Cristo (Hebreus  10:29). Por quê? Por que jamais se convenceu de que tinha a doença e, portanto, não é grato pela cura.

O Evangelismo Bíblico é sempre, sem exceção, Lei para os soberbos e Graça aos humildes. Não existe uma passagem na Bíblia onde Jesus ofereça o Evangelho, as Boas Novas, a Cruz ou a Graça de Deus a uma pessoa soberba, arrogante e que se considera boa aos próprios olhos. Não mesmo. Com a Lei, Ele quebra o coração duro, e com o Evangelho, cura o coração quebrantado. Por quê? Porque Ele sempre fez aquilo que agrada ao Pai. Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes (Tiago 4:6; 1 Pedro 5:5). “Todos os soberbos de coração”, dizem as Escrituras, “são abominação ao Senhor” (Provérbios 16.5).

Jesus nos disse para quem é o Evangelho. Disse assim: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos.” (Lucas 4:18). Estas são declarações espirituais. Os pobres (humildes) em espírito. Os quebrantados de coração (Isaías 57:15), os cativos são aqueles que Satanás tem mantido presos à sua vontade (2 Timóteo 2:26) e os cegos são aqueles que o deus desse mundo tem cegado para que a luz do Evangelho não brilhe sobre eles (2 Coríntios 4:4). Somente os enfermos precisam de médico (Marcos 2:17) e somente  aqueles que estão convictos de que têm a doença ficarão gratos e se apropriarão da cura.

Vejamos alguns exemplos do uso da Lei com os soberbos e graça com os humildes. Lucas 10:24. Ah! Quando eu citar uma referência aqui do púlpito, repetirei duas vezes, pois sei que há homens presentes – e os homens precisam escutar as coisas duas vezes para poderem entender… Os homens precisam escutar as coisas duas vezes. E isso é sustentado biblicamente. Quando Deus fala com homens na Bíblia, Ele usa seus nomes duas vezes: “Abraão, Abraão… Saul, Saul… Moisés, Moisés… Samuel, Samuel…” Porque os homens precisam escutar as coisas duas vezes. As mulheres apenas uma. Eu não sei quantas vezes nos cultos o pregador dizia “Lucas 10:25” e eu me virava para minha esposa e dizia: “O que foi que ele disse?”. Ela respondia: “Lucas 10:25”. Aí eu dizia: “Obrigado, querida!” AUXILIADORA IDÔNEA. Foi por isso que Deus criou as mulheres: porque os homens não conseguem se virar sozinhos. O negócio é assim: Os homens perdem as coisas. As mulheres as acham. “Onde estão as chaves, querida?” “Bem no seu nariz, querido.” Sabem, eu não sei quantas vezes já abri o armário e disse: “Não tem mais doce, meu docinho” e ela respondeu: “Está aqui, querido.” Onde os homens estariam sem as mulheres? Hein? Ainda estariam no Jardim do Éden! Foi Eva quem achou a árvore. Adão nem mesmo sabia o que estava se passando. Na verdade, se observarmos o processo de criação da mulher, a Bíblia diz que, para criar a mulher, Deus colocou o homem em um profundo sono. Mas, não diz se ele jamais conseguiu acordar desse sono!

Em Lucas 10:25, vemos um certo advogado se levantar e tentar Jesus. Este homem não é um advogado comum, mas um professo especialista na Lei de Deus. Ele levantou-se e disse a Jesus: “Como posso alcançar a vida eterna?” O que foi que Jesus fez? Deu-lhe a Lei. Por quê? Porque o homem era soberbo, arrogante e se considerava muito bom. Eis um professo especialista na Lei de Deus tentando o próprio Filho de Deus. Pois, na verdade, o espírito por trás de sua pergunta era: “E o que você acha que devemos fazer para alcançar a vida eterna?” Por isso, Jesus aplicou-lhe a Lei, dizendo: “O que está escrito na Lei?” Qual a sua leitura dela?” No que o advogado responde: “Ah, deves amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, entendimento, alma e força; ama o teu próximo como a ti mesmo.” Jesus afirmou-lhe: “Faça isso e viverás.” As Escrituras continuam dizendo: “Mas, ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: ‘Quem é o meu próximo?” A Bíblia Viva mostra de maneira mais clara o efeito da Lei sobre o homem. Ela diz: “O homem quis justificar sua falta de amor por certos tipos de pessoas; então perguntou: “Quais próximos?” Vejam só, ele não tinha problemas com os Judeus, mais não gostava dos Samaritanos. Então, Jesus contou-lhe a história que chamamos de “O Bom Samaritano” que não era “bom” em absoluto. Amando o seu próximo tanto quanto amava a si mesmo, ele meramente obedeceu aos requerimentos básicos da Lei de Deus. E o efeito da essência da Lei, a espiritualidade da Lei (daquilo que a Lei exige em verdade), foi calar a boca do homem. Percebam, ele não amava seu próximo no nível exigido pela Lei. A Lei foi aplicada para calar todas as bocas e deixar o mundo inteiro culpado diante de Deus.

De maneira parecida, em Lucas 18:18, o jovem rico chegou a Jesus, dizendo: “Como alcançarei a vida eterna?” Eu fico me perguntando como a maioria de nós reagiria se alguém se aproximasse e dissesse: “Como posso alcançar a vida eterna?” Certamente diríamos: “Ó… rápido! Faça essa oração antes que você mude de idéia!” Mas, o que foi que Jesus fez com o Seu convertido em potencial? Ele aplicou-lhe a Lei. Deu-lhe cinco Mandamentos horizontais, mandamentos em relação ao seu próximo e, quando o homem afirmou: “Ah! Esses eu tenho guardado desde minha mais tenra idade.”, Jesus respondeu-lhe: “Uma coisa ainda vos falta” e usou a essência do primeiro dos Dez Mandamentos: “Eu sou o Senhor vosso Deus… Não tereis outros deuses além de mim” (Êxodo 20:2-3). Jesus mostrou ao jovem que o seu deus era o dinheiro, e que não se pode servir Deus e a Mamon. (Mateus 6:24). Lei para os soberbos!

Também vemos a graça sendo dada aos humildes, como no caso de Nicodemos (João 3). Nicodemos era um dos líderes dos Judeus. Era mestre em Israel. Portanto, era completamente versado na Lei de Deus. Era humilde de coração porque veio a Jesus e reconheceu a Deidade do Filho de Deus. Um líder em Israel? “Sabemos que vens de Deus, pois nenhum homem pode fazer tais milagres a não ser que Deus esteja com Ele.” Então, Jesus deu a ele – alguém que sinceramente buscava a verdade, alguém de coração humilde e possuidor do conhecimento do pecado através da Lei – as Boas Novas da multa tendo sido paga e “de Deus amando o mundo de tal maneira que sacrificou seu unigênito Filho”. Assim, a mensagem não pareceu loucura para Nicodemos, mas o “poder de Deus para salvação.”

 Algo parecido ocorreu também no caso de Natanael (João 1:43-51). Natanael era um Israelita criado de fato debaixo da Lei, em quem não havia dolo nem engano. Obviamente, a Lei foi a professora (aIio) que conduziu esse judeu a Cristo.

 Algo similar também ocorreu com os Judeus no dia de Pentecostes (Atos 2). Eles eram Judeus devotos que, portanto, comiam, bebiam e dormiam a Lei de Deus. Matthew Henry, o Comentarista da Bíblia, disse que a razão pela qual eles estavam reunidos no Dia de Pentecostes era para celebrar a entrega da Lei de Deus no Monte Sinai. Então, quando Pedro levantou-se para pregar para esses Judeus, ele não pregou sobre a ira vindoura. Não, a Lei aponta para a ira de Deus. Eles já sabiam disso. Não pregou sobre justiça ou julgamento. Nada disso. Apenas contou-lhes as Boas Novas da dívida sendo paga, o que os atingiu no coração e eles clamaram: “Irmãos, o que faremos?” (versículo 37). A Lei foi o aio para conduzir-lhes a Cristo para que pudessem ser justificados pela fé em Seu sangue. Como escreveu o compositor (William R. Newell) de um famoso hino: “Pela palavra de Deus, finalmente, meu pecado enxerguei; tremi, então, diante da Lei que rejeitara, até que, minha pecadora alma, implorando, virou-se em direção ao Calvário.”

Em 1 Timóteo 1:8 está escrito: “Sabemos, porém, que a lei é boa se alguém dela usar com o propósito para o qual foi criada” A Lei de Deus é boa se for usada legitimamente para o propósito para o qual foi criada. Bem, com que propósito a Lei foi criada?  O versículo seguinte nos informa: “A Lei não foi feita para os justos, mas para os ímpios.” e nos dá uma lista de tipos de ímpios: homossexuais, fornicadores. Se você quiser conduzir um homossexual a Cristo, não discuta com ele sobre sua perversão, pois ele estará pronto para você com suas luvas de boxe. Não, não. Aplique-lhe os Dez Mandamentos. A Lei foi feita para os homossexuais. Mostre-lhe que ele está condenado apesar de sua perversão.

Se você quiser levar um Judeu para Cristo, solte o peso da Lei sobre ele. Deixe que ela prepare o seu coração para a graça como ocorreu no Dia de Pentecostes. Se você quiser conduzir um Mulçumano a Cristo, dê-lhe a Lei de Moisés – eles aceitam Moisés como profeta. Bem, dê-lhes a Lei de Moisés e livre-os de sua auto-justiça. Em seguida, leve-os ao ensangüentado pé da cruz. Ouvi falar de um Mulçumano que leu nosso livro O Maior Segredo do Diabo e Deus seguramente o salvou, puramente através da leitura do livro. Por quê? Porque a Lei de Deus é perfeita para converter a alma.

Pensem na mulher apanhada em ato de adultério (João 8:1-11) – violação do sétimo mandamento. A Lei exigia o seu sangue (Levítico 20:10) e ela se encontrava em uma situação muito difícil. Não tinha saída, a não ser lançar-se aos pés do Filho de Deus por misericórdia; e essa é a função da Lei de Deus.

Paulo falou de estar guardado debaixo da Lei (Gálatas 3:23) – a Lei condena. Diz-se por aí: “Você não pode sair por aí condenando os pecadores!” Santos, eles já estão condenados. João 3:18: “Aquele que não crê já está condenado.” Só o que a Lei faz é mostrar aos pecadores o seu verdadeiro estado.

Senhoras, vocês vão bem entender esta ilustração: A mesa de sua sala está precisando de limpeza. Então, você vai e limpa. A poeira some. Então, você abre as cortinas e deixa o sol da manhã entrar. O que vê sobre a mesa? Poeira! O que vê no ar? Poeira! Foi a luz que criou a poeira? Não, a luz meramente expôs a poeira. E quando você e eu decidimos abrir as cortinas (o véu) do Santos dos Santos e deixamos a luz da Lei de Deus brilhar sobre os corações dos pecadores, só o que ocorre é que eles passam a enxergar-se de maneira verdadeira. “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução luz” (Provérbios 6:23). Foi por esta razão que Paulo disse: “Pela Lei vem o conhecimento do pecado” (Romanos 3:20). Foi por isso que ele disse: “pelo mandamento o pecado se manifestou excessivamente maligno.” (Romanos 7:13). Em outras palavras, a Lei o mostrou o pecado em sua verdadeira luz.

Bom, geralmente a esta altura do ensinamento, eu cobriria os Dez Mandamentos um a um, mas, o que vou fazer é compartilhar como eu pessoalmente evangelizo, pois creio que isso será mais benéfico.

 Vejam, eu creio firmemente em seguir os passos de Jesus. Jamais, jamais mesmo, eu abordaria alguém e diria: “Jesus te ama.” Totalmente anti-bíblico. Não há precedente para isso nas Escrituras. Também não chegaria a alguém e diria: “Gostaria de falar-lhe sobre Jesus Cristo.” Por quê? Porque se quisesse acordar alguém de um profundo sono, não usaria uma lanterna em seus olhos, pois isso o ofenderia. O que faria seria aumentar a luz bem gentilmente. Primeiro no nível natural e depois no espiritual. Por quê? Porque “homem natural não recebe as coisas do espírito de Deus; nem consegue discerni-las. São loucura para ele, pois são espiritualmente compreendidas” (1 Coríntios 2:14).

O precedente para Evangelismo pessoal é dado nas Escrituras em João 4. Lá, podemos ver o exemplo de Jesus com a mulher samaritana. Jesus começou no nível natural, mudou para o espiritual, trouxe a ‘convicção de pecado’ usando o Sétimo Mandamento, e então Se revelou como o Messias. Assim, quando encontro alguém, falo do clima, esportes, etc: deixo que a pessoa perceba um pouco de ‘juízo’ em mim. Conheço um pouco mais da pessoa. Conto uma piada aqui, outra ali, e em seguida, deliberadamente mudo do nível natural para o nível espiritual. Faço isso com panfletos evangelísticos. Temos em torno de 24 ou 25 “panfletos” (brindes) evangelísticos; somos um ministério ao corpo de Cristo. Já imprimimos milhões de “panfletos evangelísticos” e nossos “brindes” são realmente incomuns.  Se você tiver acesso a eles, você vai precisar andar sempre com um montão deles, porque as pessoas vão persegui-lo pedindo mais. Deixe-me dar um exemplo. Este aqui é o nosso “panfleto” de ilusão de ótica. Qual dos dois é maior? Conseguem enxergar? O cor-de-rosa parece maior? Vêem isso? Para aqueles que estão ouvindo esta mensagem em um CD… Eles são do mesmo tamanho. É uma ilusão de ótica. Digo às pessoas: “Na verdade isso é um panfleto evangelístico; as instruções estão no verso… como ser salvo, de fato.” Aí, digo: “Pode ficar com ele” No que a pessoa responde: “Hei, obrigado! É ótimo… Puxa!”

Continuo dizendo: “Tenho outro presente para você” e do meu bolso eu tiro um “centavo com os Dez Mandamentos”. Temos uma máquina que faz isso. Compramos os centavos novinhos no banco; lindos centavos que colocamos em nossa máquina que os prensa (e também serve para amassar o seu dedão se você ficar parado). Bom, a máquina prensa os centavos. O que não é contra a lei, pois isto é considerado arte. Não se trata de deformar um centavo. Então, eu digo: “Olha um presente para você.”, no que a pessoa responde: “O que é isso?” Eu digo: “É um centavo com os Dez Mandamentos. Fiz com meus dentes… A letra ‘i’ é fácil, mas a letra ‘e’ dá bastante trabalho.”

Sabe, o que estou fazendo é lançar um teste para ver se ele está aberto às coisas espirituais. Se ele, de maneira negativa, disser: “Dez Mandamentos? Muito obrigado.”, ele não está aberto. Mas, a reação de costume é: “Dez Mandamentos… Puxa, obrigado! Valeu mesmo.” Então, eu digo: “Ah, você acha que tem guardado os Dez Mandamentos?” Ele responde: “Ah, sim… acho que sim.”  Eu o convido: “Vamos dar uma olhadinha neles? Já contou alguma mentira em sua vida?” Ele diz: “Ah, sim… é… uma ou duas.” Eu pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um pecador.” Eu insisto: “Não, não. Especificamente, o que isso faz de você?” Ele responde: “Hei, cara, eu não sou mentiroso.” Eu pergunto: “Quantas mentiras você precisa contar para ser considerado mentiroso? Não é verdade que se você contar pelo menos uma mentira, isso já faz de você um mentiroso?” Ele diz: “É… acho que você está certo.” Eu pergunto: “Já roubou alguma coisa em sua vida? Mesmo algo de pouco valor?” e ele diz: “Não” Então, digo: “Espere aí, você acabou de admitir que é um mentiroso.” e pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um ladrão.” Continuo dizendo: “Jesus disse que se você olhar para uma mulher para cobiçá-la, você comete adultério com ela em seu coração.” (Mateus 5:28). Já fez isso? Ele responde: “Já. Uma porção de vezes.” Então, por sua própria admissão, você é um mentiroso, um ladrão e adúltero de coração, e terá que enfrentar a Deus no Dia do Julgamento; e olha que nós apenas usamos três dos Dez Mandamentos. Há mais outros sete com os seus canhões apontados para você. Você alguma vez já usou o nome de Deus em vão?” “É… tenho tentado parar.” Então o questiono: “Sabe o que você está fazendo? Ao invés de usar uma palavra nojenta de cinco letras que começa com ‘m’ para expressar sua raiva, você está usando o nome de Deus em seu lugar. Isso se chama blasfêmia; e a Bíblia diz: “De toda palavra frívola que alguém proferir, dela prestará contas no Dia do Julgamento’ (Mateus 12:36). “O Senhor não terá por inocente aquele que tomar Seu nome em vão.” (Êxodo 20:7) A Bíblia diz que se você odeia alguém, você é assassino (1 João 3:15).

Agora, o maravilhoso sobre a Lei de Deus é que Deus se ocupou de escrevê-la em nossos corações. Romanos 2:15: “pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente à sua consciência…”  A palavra consciência significa “com conhecimento”. “Con” quer dizer “com” e “ciência” significa “conhecimento”. Consciência. Então, toda vez que ele mente, cobiça [sexualmente], fornica, blasfema, comete adultério, faz isso com conhecimento de que isso é errado. Deus deu luz a todas as pessoas. O Espírito Santo os convence do pecado, da justiça e do julgamento (João 16:8). O pecado que é transgressão da lei (1 João 3:4); a justiça que é da Lei (Romanos 10:5; Filipenses 3:9); julgamento que é pela Lei. Sua consciência o acusa – a obra da Lei escrita em seu coração (Romanos 2:15) – e a Lei o condena.

Então, digo “Se Deus o julgar por este padrão no Dia do Julgamento, você será inocente ou culpado?” Ele diz: “Culpado.” Então, digo assim: “E você acha que vai para o céu ou inferno?” e a resposta de costume é: “Para o céu.” – um produto do “evangelho” moderno. Eu pergunto: “Por que acha isso? Seria porque você acha que por Deus ser bom Ele vai relevar os seus pecados?” Ele responde: “É isso aí. Ele vai relevar os meus pecados.” “Bem, tente isso em um tribunal. Imagine que você cometeu estupro, assassinato, tráfico de drogas – vários graves crimes. O juiz diz: ‘Você é culpado. Todas as provas estão aqui. Tem alguma coisa a dizer antes de eu proferir sua sentença?” Você responde: “Sim, Senhor Juiz. Gostaria de dizer que acredito que o senhor é um bom homem e vai relevar meus crimes.” O juiz provavelmente diria: “Tem razão em relação a uma coisa: sou mesmo um bom homem e, por causa de minha bondade, me certificarei que a justiça seja feita. Por causa da minha bondade, vou me certificar de que você seja punido.” E a mesmíssima coisa que os pecadores acham que há de salvá-los no Dia do Julgamento –  a bondade de Deus –  será o que vai condená-los. Por Deus ser bom, Ele deve, por natureza, punir todos os assassinos, estupradores, ladrões, mentirosos, fornicadores e blasfemos. Deus vai punir o pecado onde quer que ele se encontre.

Ora, com esse conhecimento, o pecador passa a ser capaz de compreender a mensagem. Ele, agora, tem a luz necessária para entender que seu pecado é primeiramente vertical: que “pecou contra o Céu” (Lucas 15:21). Que violou a Lei de Deus e irou a Deus e que sobre ele a ira de Deus permanece (João 3:36). Agora ele pode ver que foi “pesado na balança” da justiça eterna e “foi achado em falta” (Daniel 5:27). Agora entende a necessidade de um sacrifício. “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós.” (Gálatas 3:13). “Deus demonstrou Seu amor por nós, pois enquanto ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5:8). Nós quebramos a Lei. Cristo pagou a multa. É simples assim. E se as pessoas se arrependerem e colocarem sua fé em Jesus, Deus cancelará os seus pecados para que no Dia do Julgamento, quando o processo for reaberto, Deus possa dizer: “Seu processo foi encerrado por falta de provas.” “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós” e, portanto, o redimido passa a exercitar o arrependimento para com Deus, a fé em nosso Senhor Jesus Cristo (Atos 20:21), coloca sua mão ao arado e não olha para trás, pois agora está apto para o reino (Lucas 9:62). A palavra apto significa “pronto para o uso”. O solo de seu coração foi transformado para que pudesse receber as palavras gravadas que podem salvar sua alma (Tiago 1:21)

Bom, eu não tenho tempo para compartilhar muitas citações com vocês, mas elas estão no material impresso que vocês receberam. Estou certo que vocês reconhecerão estes nomes: John Wycliffe, o tradutor da Bíblia. Ele disse: “O maior serviço que alguém pode fazer na terra é pregar a Lei de Deus.” Por quê? Porque a Lei conduz os pecadores à fé no Salvador, à vida eterna.

 Martinho Lutero disse: “O primeiro dever do pregador do Evangelho é declarar a Lei de Deus e expor a natureza do pecado.” De fato, conforme lemos estas citações, reconhecemos nestes homens uma convicção tão grande que podemos sentir seus dentes travados. Esses homens disseram coisas do tipo: “Se não usarmos a Lei na proclamação do Evangelho, encheremos nossas igrejas de falsos convertidos.” Pessoas com um coração cujo solo é pedregoso e que apenas inicialmente recebem a mensagem com alegria.

Escutem só o que Martinho Lutero disse também: “Satanás, o deus de toda dissensão levanta novas seitas diariamente. Uma de suas manobras mais recentes, que eu jamais suspeitaria poder vir a existir, foi de levantar uma seita na qual se prega que as pessoas não deveriam ter medo da Lei, e na qual as pessoas são gentilmente exortadas pela pregação da graça de Cristo”, o que resume perfeitamente uma grande parte do evangelismo moderno.

 John Wesley disse a um jovem amigo evangelista: “Pregue 90% lei e 10% graça” Então, pode-se questionar: “90% Lei e 10% graça? Muito pesado. Será que não dava para ser 50% para cada uma?” Pense assim: Eu sou o médico, você o paciente. Você tem uma doença terminal. Eu tenho a cura, mas é absolutamente essencial que você esteja totalmente comprometido com a cura, pois, se não estiver 100% comprometido, não funcionará. Como devo lidar com essa situação? Provavelmente assim:   “Venha cá. Sente-se. Tenho notícias muito sérias para dar-lhe: você tem uma doença terminal.” Você começa a tremer. Eu penso comigo mesmo: “Ótimo. Ele está começando a perceber a seriedade da situação.” Apresento gráficos, raios-X, mostro-lhe a doença consumindo seu organismo. Falo-lhe por Dez Minutos sobre esta terrível doença. Quanto tempo, então, você acha que eu terei que falar da cura? Não muito tempo. Então, quando você estiver tremendo depois dos dez minutos, eu digo: “A propósito, eis a cura.” Você agarra o medicamento e o engole com vontade. Seu conhecimento da doença e de sua horrível conseqüência fez com que desejasse a cura.

 Sabem, antes de eu ser Cristão, eu tinha tanto desejo de justiça quanto um garoto de quatro anos tem pela palavra “banho”. Qual a questão? Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.” Mas, quantos descrentes você conhece que tem fome e sede de justiça? A Bíblia diz: “Não há quem busque a Deus.” (Romanos 3:11). Ela diz que eles amam a escuridão e odeiam a luz; não virão à luz, a não ser que seus feitos sejam expostos (João 3:19-20). A única coisa que bebem como se fosse água é a iniqüidade (Jó 15:16). Contudo, na noite em que fui confrontado com a natureza espiritual da Lei de Deus e entendi que Deus exige a verdade no íntimo (Salmo 51:6), que Ele via meus pensamentos e considerava a lascívia como o mesmo que adultério, e ódio como homicídio, comecei a pensar: “Vejo que estou condenado. O que preciso fazer para me acertar?” Comecei a sentir sede de justiça. A Lei pôs sal em minha língua. Ela foi o aio para me levar a Cristo.

Charles Spurgeon disse: “Não aceitarão a graça até tremerem diante de uma Lei justa e santa.” D.L. Moody, John Bunyan, John Newton, que escreveu “Maravilhosa Graça” (e se alguém podia falar sobre graça com tanta propriedade esse era Newton). John Newton disse que “a correta compreensão da harmonia entre Lei e Graça nos preserva de ser enredados por erros tanto na mão direita quanto na esquerda.”

 Charles Finney disse “Cada vez mais, a Lei deve preparar o caminho para o Evangelho.” Disse ainda: “Negligenciar isto na instrução das almas certamente resultará em falsa esperança, na introdução de um padrão falso da experiência Cristã, e encherá a igreja de falsos convertidos.”

Santos, esta foi a primeira frase que David Wilkerson disse a mim quando me ligou do telefone do seu carro: “Eu pensava que era o único que não acreditava em ‘acompanhamento.’” Vejam, eu acredito que devemos alimentar um novo convertido; Creio que devemos nutri-lo. Creio que devemos discipulá-lo – isto é bíblico e extremamente necessário. Mas, não acredito em fazer ‘acompanhamento’. Não consigo encontrar tal prática nas Escrituras. O Eunuco Etíope foi deixado sem ‘acompanhamento’ algum. Como ele conseguiu sobreviver? Tudo o que ele tinha era Deus e as Escrituras. ‘Acompanhamento’… Bem, deixem-me primeiro explicar o que é ‘acompanhamento’ para aqueles que não sabem o que é isso. ‘Acompanhamento’ é quando conseguimos decisões para Cristo, ou através de cruzadas ou na igreja local, e designamos obreiros para fazer a colheita, sendo tão poucos quanto os obreiros já são, diga-se de passagem, dando-lhes a desanimadora tarefa de correr atrás destas decisões para se certificar de que prosseguirão com Deus. Isso na verdade é uma triste admissão da quantidade de confiança que nós temos no poder de nossa mensagem e no poder sustentador de Deus. Se Deus os salvou, Deus os sustentará. Se forem nascidos de Deus, jamais morrerão. Se Ele começou uma boa obra neles, Ele a completará até aquele dia  (Filipenses 1:6); Se Ele for o autor de sua fé, Ele será [também] o consumador de sua fé (Hebreus 12:2). Ele pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hebreus 7:25). Ele é capaz de sustentá-los para que não caiam e apresentá-los imaculados e jubilosos diante de Sua presença e glória (Judas 24). Jesus disse: “Ninguém irá arrebatá-los da mão de meu Pai” (João 10:29).

 Vejam, santos, o problema é que Lázaro já está com quatro dias de morto (João 11). Podemos entrar na tumba correndo, podemos puxá-lo para fora, podemos colocá-lo de pé, podemos abrir os seus olhos, mas ele “cheira mal” (versículo 39). Ele precisa ouvir a voz do Filho de Deus. Os pecadores estão mortos “há quatro dias” em seus pecados. Podemos correr a eles e dizer: “Façam esta oração.” Ainda assim, precisarão ouvir a voz do Filho de Deus, ou não haverá vida neles; e o que prepara o ouvido dos pecadores para ouvir a voz do Filho de Deus é a Lei. É o aio para levá-los a Cristo para que possam ser justificados pela fé (Gálatas 3:24). Santos, a Lei funciona; ela converte a alma (Salmo 19:7). Torna a pessoa uma nova criatura em Cristo: “As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17). Então, quando encontrar um pecador, experimente a Lei nele. Mas, ao fazer isso, lembre-se desta anedota:

 Você está viajando em um avião, saboreando seu café, beliscando um biscoitinho e assistindo um filme. O vôo está ótimo, muito agradável mesmo, quando, repentinamente, se ouve: “Aqui quem fala é o comandante. Tenho um comunicado a todos. Como a cauda desta aeronave acabou de partir-se, nós vamos cair. É uma queda de 25.000 pés. Há um pára-quedas sob sua poltrona. Por gentileza, coloque-o agora. Obrigado por sua atenção e preferência.” Você diz: “O que? 25.000 pés!? Caramba, que felicidade estar de pára-quedas!” Aí, você olha e vê o cara ao lado beliscando um biscoitinho, tomando um cafezinho e assistindo um filminho e diz: “Com licença, você não ouviu o comandante? Coloque o pára-quedas.” Ele vira para você e diz: “Ah, não acho que o comandante se expressou direito. Além do mais, estou muito feliz assim. Obrigado.” Agora, não vá se virar para ele de maneira sinceramente zelosa e dizer: “Oh, por favor, coloque o pára-quedas. Será melhor que o seu filme.” Isso não faz sentido! Se você lhe disser que o pára-quedas, de alguma forma, vai melhorar o seu vôo, ele vai colocá-lo pelo motivo errado. Se quiser que ele coloque o pára-quedas e continue com ele, avise-o sobre o salto. Vire-se para ele e diga: “Com licença. Ignore o comandante se quiser, salte sem o pára-quedas. Ploooooft no chão!” Ele diz: “Opa! Como é que você disse?” “Eu disse que se você pular sem um pára-quedas, ploft no chão. Lei da Gravidade, lembra!?” “Puxa vida! Agora entendi. Obrigado mesmo!” E enquanto este homem tiver o conhecimento de que terá que saltar pela porta e enfrentar as conseqüências da Lei da Gravidade, ninguém conseguirá arrancar-lhe o pára-quedas, pois sua vida depende disso.

 Agora, se olharmos à nossa volta, veremos vários passageiros aproveitando o vôo. Eles estão desfrutando dos prazeres do pecado por algum tempo. Chegue a essas pessoas e diga: “Com licença. Você ouviu a ordem do comandante sobre a salvação? ‘Coloque o pára-quedas de Cristo.’”  A pessoa se vira para você e diz: “Ah! Eu não acho que seja isso que Deus está querendo dizer. Deus é amor. Além do mais, eu estou bem feliz assim como estou. Obrigado.” Não vá se virar de maneira zelosa, mas sem conhecimento, e dizer-lhe: “Por favor, coloque o pára-quedas de Jesus Cristo. Ele te dará amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade sem fim. Você tem um vazio em seu coração que só Deus pode preencher. Se você tiver problemas no casamento, com drogas, álcool, só o que você precisa fazer é entregar o seu coração a Jesus.” Não. Se fizer isso, você estará dando a essa pessoa o motivo errado para o seu compromisso com Cristo. Ao invés disso, diga: “Deus, dê-me coragem!” e avise sobre o salto. Só é preciso dizer: “Hei, está determinado às pessoas morrer uma só vez. Se você morrer com seus pecados, Deus será forçado a fazer-lhe justiça – e o julgamento do Senhor será completo. Pois, de Toda palavra frívola que as pessoas proferirem, prestarão contas no Dia do Julgamento; Assim, se você alguma vez cobiçou alguém sexualmente, praticou adultério em seu coração. Se, alguma vez na vida, sentiu ódio por alguém, você matou a pessoa em seu coração. Jesus alertou que a justiça será completa – o punho cerrado da ira eterna virá sobre você (PLOFT!), transformando-o em pó! Deus abençoe.” Entendam, santos, que não estou falando em pregar o fogo do inferno. Tal pregação produz convertidos cheios de medo, o uso da Lei de Deu produz convertidos cheios de lágrimas. Os primeiros vêm a Cristo por que? Porque querem escapar do fogo do inferno, mas, em seus corações, acham que Deus é duro e injusto, pois a Lei de Deus não foi usada para mostrar-lhes quão mal é o pecado. Não conseguem ver que merecem o inferno e, portanto, não entendem misericórdia ou graça. Assim, falta-lhes gratidão a Deus por Sua misericórdia. E gratidão é a motivação básica do evangelismo. Não haverá zelo no coração de um falso convertido para evangelizar. No segundo caso, os pecadores vêm a Cristo sabendo que pecaram contra Deus, que os olhos de Deus estão em todo lugar observando o bem e o mal; que Deus vê a escuridão como se fosse pura luz; que Deus tem visto os seus pensamentos. Se Deus, em Sua santidade, no dia da ira fizesse manifestos todos os seus pecados escondidos de seu coração, todas as suas atitudes feitas às escondidas, se Ele fizesse manifesta toda a evidência de sua culpa, Deus os tomaria por algo impuro e os lançaria no inferno, aplicando-lhes a justiça. Mas, ao invés disso, Deus deu-lhes misericórdia, demonstrou-lhes o seu amor, pois enquanto ainda eram pecadores Cristo morreu por eles. Assim, caem de joelhos diante da cruz manchada de sangue e dizem: “Oh, Deus, se fizeres isto por mim, farei tudo por Ti. Me apraz fazer a tua vontade, oh, meu Deus. Tua Lei está escrita em meu coração.” E, da mesma maneira que o homem que sabia que teria que saltar pela porta do avião e enfrentar as conseqüências por quebrar a lei da gravidade e, por isso, jamais tiraria o pára-quedas pois sua própria vida dependia dele, assim também é todo aquele que chega ao Salvador sabendo que terá que deparar-se a Deus face a face no dia da ira: jamais desprezará a justiça de Deus em Cristo, pois sua própria vida depende disso.

Deixem-me ver se posso ilustrar bem a questão ao nos aproximarmos do término desta mensagem. Estava em uma loja algum tempo atrás e o proprietário estava a servir um cliente usando o nome de Deus de forma blasfema. Bem, se alguém usasse o nome de minha esposa de forma blasfema, isto é, em lugar de um palavrão, eu ficaria extremamente ofendido com isso. Mas, aquele cara estava usando o nome de Deus como um palavrão – o nome do Deus que lhe dera vida, seus olhos, habilidade de pensar, seus filhos, seu alimento; todo prazer que já tivera até aquele momento lhe tinha sido dado pela bondade de Deus – e ele estava usando o nome de Deus como um palavrão. De maneira indignada, curvei-me entre ele e o freguês e disse: “Com licença, isso aqui é uma reunião religiosa?” O cara se virou e disse: “Que diabos? Não!” “Ah, é sim! Pois agora você está falando do diabo. Deixe-me dar um de meus livros de presente para você.” Então, fui até o meu carro e peguei um livro que escrevi chamado Deus Não Acredita em Ateus: Evidência de que Ateus Não Existem. É um livro que usa lógica, humor, raciocínio e racionalismo para provar a existência de Deus – que é algo que se pode fazer em dois minutos sem usar fé. É algo muito simples para provar a existência de Deus de maneira absolutamente conclusiva. Além disso, se prova também que ateus não existem. Na verdade, deixem-me mostrar-lhes um de nossos adesivos para carro. “Dia Nacional do Ateu: 1º de Abril”. [Continuando a história,] dei o livro ao proprietário da loja e, dois meses depois, voltei lá para dar-lhe outro livro meu, Meu Amigos Estão Morrendo! Uma história verídica e pungente sobre a ministração do Evangelho na parte mais perigosa de Los Angeles; um livro que também usa humor em sua apresentação. Dei-lhe estes livros e, posteriormente, ele me ligou para contar-me o que tinha acontecido: sua esposa começou a olhar feio para ele por estar lendo um livro chamado Meus Amigos Estão Morrendo e dando risadas a cada dois minutos. Mas, acontece que ele estava fazendo faxina em seu quarto e pegou o outro livro Deus não acredita em Ateus. “Ah!” (de maneira desgostosa), disse ele, mas, ainda assim, leu a primeira página e, então, leu as outras 260 páginas do livro. Ele me disse: “Aquilo foi estranho, pois detesto a leitura.” Aí, ele leu Meus Amigos Estão morrendo!, entregou sua vida a Cristo, comprou uma Bíblia e, quando veio me fazer uma visita, contou-me que, apenas dois dias após tornar-se Cristão, ele já tinha lido até o livro chamado Levi--co e, se eu me lembro bem, em seguida, ele iria ler o livro de Palmos e Jô. Seja como for, o fato é que, até o momento de sua conversão o homem era um bruxo praticante. “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.”

  É como se Deus estivesse olhando lá de cima para mim – durante todo o tempo em que, por muitos anos, eu pregava em praça pública, combatendo o inimigo com o espanador de penas do evangelismo moderno – e dizendo: “O que é que você está fazendo? As armas da minha milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas (2 Coríntios 10:4). Eis aqui dez grandes canhões.” E, quando eu comecei a alinhar e apontar os dez canhões da Lei de Deus, os pecadores pararam de caçoar e fazer pouco. Muito pelo contrário, seus rostos ficaram pálidos. Eles começaram a erguer as mãos e dizer: “Eu me rendo” Entrego tudo a Jesus.” Começaram a vir para o lado dos vencedores para nunca pensar em retroceder. Este tipo de convertidos se tornam ganhadores de almas, ao invés de aquecedores de banco de igreja, obreiros, ao invés de preguiçosos, bens ativos, ao invés de passivos para a igreja local.

 E agora, santos, com suas cabeças erguidas e olhos abertos, e sem música alguma sendo tocada, deixem-me desafiá-los sobre a validade de sua salvação. O evangelismo moderno diz: “Jamais questione a sua salvação.” Porém, a Bíblia diz exatamente o contrário. Ela diz: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé” (2 Coríntios 13:5). É melhor que seja agora de que no Dia do Julgamento. A Bíblia diz ainda: “Procurai fazer firme a vossa vocação e eleição” (2 Pedro 1:10) e alguns de vocês sabem que há algo radicalmente errado com sua caminhada Cristã. Você perde sua paz e alegria quando o vôo fica turbulento. Falta-lhe zelo para evangelizar. Jamais você caiu com rosto em chão diante do Deus Todo-Poderoso e disse: “Pequei contra Ti, ó Deus! Tem misericórdia de mim!” Nunca você correu para os braços de Jesus Cristo para ser limpo pelo seu sangue, clamando desesperadamente: “Deus, tem misericórdia de mim, pois sou um pecador!” E tem mais: falta-lhe gratidão, falta-lhe um zelo ardente pelos perdidos. Você não pode nem dizer que o fogo de Deus queima em seu coração. Na verdade, há um grande perigo de estar entre aqueles chamados “mornos” que serão cuspidos da boca de Cristo no Dia do Julgamento (Apocalipse 3:16) quando as multidões clamarão a Jesus: “Senhor, Senhor” e Ele dirá: “Apartai-vos de mim todos vós [transgressores] que praticais a iniqüidade: nunca vos conheci.” (Mateus 7:22-23). Ignoraram a Lei Divina. A Bíblia diz mais: “Aparte-se da iniqüidade todo aquele que profere o nome do Senhor.” Então, hoje mesmo, você precisa reajustar o motivo de seu compromisso. Amigo, não deixe o seu orgulho impedi-lo. Gostaria de orar por você. Eu orarei daqui mesmo e você pode ficar aí onde está sentado. E se você quiser se incluir nesta oração, eu gostaria que levantasse a sua mão, mas lembrasse disso: se você pensar: “Bem, eu deveria levantar a minha mão, mas o que as pessoas vão pensar?” Isso é orgulho, pois prefere a aprovação dos homens do que a de Deus (João 12:43). Todo aquele que é orgulhoso de coração é abominação ao Senhor (Provérbios 16:5). Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes. Então, humilhe-se diante da poderosa mão de Deus e Ele, no tempo certo, te exaltará (1 Pedro 5:5-6). Chame isso de renovação de compromisso. Chame de compromisso. [Chame do que quiser.] Mas, seja lá de que você o chamar, certifique-se de seu chamado e eleição (2 Pedro 1:10).

 

 


Esta mensagem foi pregada pela primeira vez em agosto de 1982. Reprodução permitida [e encorajada].
Traduzida para o português do Brasil em setembro de 2005. Tradutor: fguarany@yahoo.com.br
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ESPELHOS DE DEUS

19 de outubro de 2009 2 comentários

 

ESPELHOS DE DEUS

 botox278 velha no espelho

“Os Espelhos de Deus”

 

 Por Max Lucado

  

G.R. Tweed olhou pelas águas de Pacífico para o navio americano no horizonte. Limpando o suor de selva dos seus olhos, o jovem oficial naval engoliu profundamente e tomou sua decisão. Esta poderia ser a única chance dele para fugir.

Tweed estava se escondendo na ilha de Guam durante três anos. Quando o exército japonês ocupou a ilha em 1941, ele se escondeu no denso matagal tropical. Sobreviver não havia sido fácil, mas ele preferiu o pântano a um campo de prisioneiros de guerra.

Tarde naquele dia, 10 de julho de 1944, ele percebeu o navio aliado. Ele correu para cima de uma colina e se posicionou em um precipício. De dentro da sua mochila, ele tirou um espelho de mão. Às 18:20 ele começou a enviar sinais em código Morse. Segurando a extremidade do espelho nos dedos, ele o inclinou de um lado para outro, refletindo os raios do sol em direção ao barco. Três sinais curtos. Três longos. Três curtos novamente. Ponto-ponto-ponto. Traço-traço- traço. Ponto-ponto-ponto. S-O-S.

O sinal chamou a atenção de um marinheiro a bordo do USS McCall. Uma equipe de resgate embarcou num bote motorizado e passou despercebido na angra além do alcance das armas do litoral. Tweed foi salvo.[1]

Ele estava feliz por ter aquele espelho; feliz porque soube usá-lo, e feliz porque o espelho cooperou. Suponha que não tivesse. (Prepare-se para um pensamento absurdo.) Suponha que o espelho tivesse resistido, empurrado sua própria agenda? Em lugar de refletir uma mensagem do sol, imagine se tivesse optado por enviar algo próprio? Afinal de contas, três anos de isolamento deixariam qualquer um faminto por atenção. Em lugar de enviar um S-O-S, o espelho poderia ter enviado um O-P-M “Olhe para mim.”

Um espelho egoísta?

O único pensamento mais absurdo seria um espelho inseguro. E se eu estragar tudo? E, se eu envio um traço quando devo enviar um ponto? Além disso, você já viu as manchas na minha superfície? Duvidar de si mesmo poderia paralisar um espelho.

Da mesma forma seria auto-piedade. Enfiado naquela mochila, arrastado por selvas, e agora, de repente espera-se que eu enfrente o sol brilhante e execute um serviço crucial. De jeito nenhum. Fico no pacote. Não sai nenhuma reflexo de mim.

Ainda bem que o espelho de Tweed não teve uma mente própria.

E os espelhos de Deus? Infelizmente nós temos.

Nós somos os espelhos dele, sabe: ferramentas da heliografia celestial. Reduza a descrição de trabalho humano numa frase e é isto: refletir a glória de Deus. É como Paulo escreveu: “Portanto, todos nós temos o rosto descoberto e refletimos como um espelho a glória do Senhor. Nós somos transformados na sua própria imagem com uma glória cada vez maior. E esta é a obra do Senhor, que é o Espírito. (2 Cor 3:18 VFL)

Um leitor acabou de levantar uma sobrancelha. Espere um momento, você está pensando. Eu li aquela passagem antes, mais de uma vez. E soou diferente. Realmente, pode ter acontecido. Talvez seja porque você está acostumado a ler em uma outra tradução. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (ARA, ênfase minha).

Uma tradução diz, “contemplando, como por espelho”, outra diz, “refletimos como um espelho”. Uma implica contemplação; a outra refração. Qual é certa?

De fato ambas. O verbo katoptrizo pode ser traduzido das duas maneiras. Há tradutores que tomam ambos os lados:
refletindo, como um espelho” (ARC)
contemplamos a glória do Senhor” (NVI com nota de rodapé indicando que pode ser também “refletimos”)
contemplamos como num espelho a glória do Senhor” (Bíblia de Jerusalém, com nota semelhante à NVI)
refletimos a glória que vem do Senhor” (NTLH)

Mas qual significado Paulo tinha em mente? No contexto da passagem, Paulo compara a experiência Cristã à experiência de Moisés no monte Sinai. Depois que o patriarca contemplou a glória de Deus, a face dele refletiu a glória de Deus. “os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés, por causa do resplendor do seu rosto” (v. 7 NVI).

A face de Moisés estava tão deslumbrante que “o povo de Israel não podia nem mais olhar para ele do que para o sol” (v. 7 Tradução em inglês A Mensagem).

Ao ver Deus, Moisés não podia fazer outra coisa senão refletir Deus. O brilho que ele viu foi o brilho no qual ele se tornou. Vendo levou a sendo. Sendo levou a refletindo. Talvez a resposta para a pergunta de tradução, então, é “sim.”

Paulo quer dizer “vendo como em um espelho”? Sim. Paulo quer dizer “refletindo como um espelho”? Sim.

Será que o Espírito Santo intencionalmente selecionou um verbo que nos lembraria a fazer ambos? Contemplar Deus tão atentamente que nós não conseguimos fazer outra coisa senão refleti-lo?

O que significa ver seu rosto em um espelho? Um relance rápido? Um olhar casual? Não. Ver é estudar, fitar, contemplar. Ver a glória de Deus, então, não é nenhum olhar lateral ou relance ocasional; este ver é ponderar seriamente.

Não é isso que nós fizemos? Nós acampamos aos pés do monte Sinai e vimos a glória de Deus. Sabedoria inescrutável. Pureza sem mancha. Anos sem fim. Força destemida. Amor imensurável. Vislumbres da glória de Deus.

Enquanto vemos a glória dele, podemos ter a ousadia de orar que nós, como Moisés, possamos refleti-lo? Podemos ousar sonhar em ser espelhos nas mãos de Deus, o reflexo da luz de Deus? Esta é o chamado.

“Fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Cor. 10:31).
Tudo? Tudo.

Deixe sua mensagem refletir a glória dele. “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.” (Mt. 5:16 NVI).

Deixe sua salvação refletir a glória de Deus. Tendo “nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (Efé. 1:13,14 ARA).

Deixe seu corpo refletir a glória de Deus. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Cor. 6:20 ARA).

Suas lutas. “Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus.” (2 Cor. 4:15 NVI, veja também João 11:4).

Seu sucesso honra Deus. “Honra ao SENHOR com os teus bens” (Prov. 3:9 ARA). “Riquezas e glória vêm de ti” (1 Crô. 29:12). “É ele o que te dá força para adquirires riquezas” (Deut. 8:18).

Sua mensagem, sua salvação, seu corpo, suas lutas, seu sucesso – todos proclamam a glória de Deus.

“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Col. 3:17 ARA)

Ele é a fonte; nós somos o vaso. Ele é a luz; nós somos os espelhos. Ele envia a mensagem; nós a refletimos. Nós descansamos na mochila dele esperando o chamado dele. E quando colocados nas mãos dele nós fazemos o trabalho dele. Não é sobre nós, é tudo sobre ele.

Ao Sr Tweed usar um espelho, houve um salvamento.
Que haja milhões a mais quando Deus nos usar.

 

[1] Dicionário de Navios Americanos de Guerra (Dictionary of American Naval Fighting Ships- Office of the Chief of Naval Operations Naval History Division- Washington) http://www.ibiblio.org/hyperwar/USN/ships/dafs/DD/dd400.html

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