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Archive for maio \30\UTC 2010

EM 1 CORÍNTIOS 7.36 TEMOS UMA APROVAÇÃO PARA O INCESTO?

EM 1 CORÍNTIOS 7.36 TEMOS UMA APROVAÇÃO PARA O INCESTO?

“Mas, se alguém julga que trata dignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se.” (1 Co 7.36, ARC)

“Entretanto, se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem.” (1 Co 7.36, ARA)

O problema destas versões está na tradução do termo grego parthenon, onde especialmente na Almeida Revista e Atualizada foi traduzido por “filha”. Vale resaltar, que na própria nota de rodapé da referida versão é colocado que se trata de “expressão ambígua, que pode significar a sua filha ou a sua prometida.

O Dicionário do Grego do Novo Testamento de Carlos Rusconi (Paulus) define o termo parthenos como “homem ou mulher que nunca teve relações sexuais: virgem”.

O Dicionário do Novo Testamento Grego de W. C. Taylor (JUERP) traduz o verbete parthenia por “virgindade”, e parthenos por “virgem”.

O Léxico Grego Analítico de Harold K. Mouton (Cultura Critã), admite para a tradução de parthenos: virgem, donzela.

O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento de Coenen e Brown (Vida Nova) afirma que “A mulher jovem que ainda não se casou é chamada parthenos. Nisto, a ênfase pode recair, de um lado, sobre a sua juventude já madura, e , do outro lado, sobre a sua inocência e pureza” (p. 1334). E ainda: parthenos ocorre 3 vezes em Mt 25.1-12, uma vez em Atos, 5 vezes em 1 Co cap. 7, uma vez em 2 Co cap. 11, e uma vez no Apocalipse. O Uso geral se torna aparente na parábola das Dez Virgens (Mt 25.1, 5, 11). Em At 21.9, refere-se a filhas solteiras. […] W. G. Kummmel, do outo lado, segue G. Schrenk, TDNT III 60-61, pensando que Paulo tem em mente o relacionamento de um homem para com a sua noiva que é virgem no sentido comum.” (p. 1352)

O Novo Testamento Interlinear da Sociedade Bíblica do Brasil e o Novo Testamento Interlinear de Waldir Carvalho Luz (Cultura Cristã) traduzem o termo parthenon por “virgem”.

Anthony Palma, no Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento (CPAD, p. 979-980), após apresentar as três principais interpretações dos versos 36-38, fica com a hipótese que alega apresentar menos dificuldade, ou seja, a de que a frase “sua virgem” se refere a um homem e sua noiva.

Estranhamente, e destoando das demais citações aqui feitas, ao comentar sobre o termo grego parthenos, Vine (CPAD, p. 657) declara que “[…] significa, em 1 Co 7.36-38, ‘filha virgem’.”

Além das alusões ao termo nas obras acima, outros argumentos fortalecem a idéia de que 1 Co 7.36 não é uma aprovação à prática do incesto.

Em primeiro lugar, a aprovação de incesto por Paulo iria de encontro aos mandamentos e proibições listados em Levíticos 18.6:

“Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para lhe descobrir a nudez. Eu sou o Senhor.”

É interessante ainda observar, que uma boa hermenêutica deve seguir o princípio de que um texto (tradução ou versão) obscuro precisa ser analisado à luz de textos (traduções ou versões) e contextos mais claros sobre o assunto em discussão.

Duas versões bíblicas cooperam na elucidação do problema com a tradução e interpretação do texto de 1 Coríntios 7.36:

“Se alguém acha que está agindo de forma indevida diante da virgem de quem está noivo, que ela está passando da idade, achando que deve se casar, faça como achar melhor. Com isso não peca. Casem-se.” (Nova Versão Internacional-NVI)

“Aos que ficaram noivos, mas resolveram não casar mais, eu digo o seguinte: se o rapaz sente que assim não está agindo certo com a sua noiva e acha que a sua paixão por ela ainda é muito forte e que devem casar, então que casem. Não existe pecado nisso.” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje-NTLH)

Abraços!

Postado por ALTAIR GERMANO, às 10:35 4 comentários

UMA QUESTÃO DE MARCA.

UMA QUESTÃO DE MARCA

Qual a razão de tanta questão em torno de uma marca ou denominação na hora de “batizar” uma nova igreja, ou quando se resolve “re-batizar” uma igreja já existente? Seria para de alguma forma identificar sua linha doutrinária? Estar-se-ia buscando manter uma identidade denominacional? Haveria o interesse de se tirar proveito de um nome já construído ao longo dos anos? Seria para ajudar a “vender” mais fácil o Evangelho?

Nome de igreja (denominação) não salva ninguém, mas, pode dar credibilidade para quem não é digno de credibilidade, ou para quem deseja se aproveitar da “marca” para fazer crescer o seu “reino pessoal” (e não o Reino de Deus).

Não existe igreja perfeita, porque os seus líderes e membros não são perfeitos. Agora, de uma coisa estou certo, existem igrejas com líderes sérios e comprometidos com Deus e com a sua Palavra, como também existem igrejas pastoreadas por verdadeiros bandidos e exploradores da fé.

O fato é que o nome “Assembléia de Deus”, “Igreja Batista”, “Igreja Presbiteriana” e outros que estão associados a uma organização já reconhecida nacionalmente por seu trabalho espiritual, social e cultural, acabam sendo utilizados indiscriminadamente, alcançando os níveis do banal e do ridículo.

Não se conhece a seriedade de uma igreja apenas por sua “marca”, mas acima de tudo, pelo amor, comunhão e caráter de seus líderes e membros. Sendo assim, por uma questão de prudência, devem-se buscar informações sobre a referida igreja e seu pastor, sempre que se pensar em congregar, mudar de congregação ou de denominação. O tempo é outro grande auxiliar no sentido de revelar quem é quem.

Ninguém fique admirado, se de repente, em meio a tanta criatividade, oportunismo e cinismo, surgir no cenário evangélico nacional um dos nomes abaixo:

– Igreja Evangélica dos Sem Igreja

– Assembleia da Vitória Financeira

– Congregação Cristã dos Pescadores de Aquários

– Ministério Apostólico dos Mercenários de Plantão

– Assembleia da Minha Família

– Comunidade Aqui Pode Tudo

– Paróquia da Enganação

– Universal do Meu Reino

– A Verdadeira e Imaculada Igreja de Jesus

– Igreja Batista Pós-Moderna

– Caminho da Santificação Sem Jugo

– Capela da Prosperidade

– Sementeira de Cristo

– Igreja do Bom Brilho das 1001 Utilidades

– Igreja Global e Você, Tudo a Ver

– Igreja Jesus Cristo É Isso Aí

Que o Senhor nos ajude!

Publicado em O GALILEO

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Postado por ALTAIR GERMANO, às 20:36 3 comentários

vida rasa ou profunda???

Ribeiro VIDA RASA OU PROFUNDA? Um agricultor plantou duas árvores da mesma espécie. Uma em solo plano, no meio do terreno, onde suas raízes se aprofundaram na terra em busca de água. A outra, na parte mais baixa de um declive. Quando chovia, a água passava por aquele lugar e escoava para a rua. Ambas as árvores cresceram e pareciam fortes e viçosas. Foi então que sobreveio um terrível vendaval e assolou as duas árvores. A árvore do meio do terreno permaneceu firme, enquanto a outra tombou. O agricultou descobriu, finalmente, que os sistemas radiculares eram diferentes. A árvore do meio do terreno possuía raízes profundas, enquanto a outra possuía raízes rasas. Na base do declive, a água passava suavemente na superfície do solo, por isso as raízes não tinham de coletar água em profundidade e permaneceram superficiais. Esse foi o motivo de a árvore não ter suportado a força do vendaval. Toda árvore geralmente desenvolve suas raízes numa lateralidade rasa e numa verticalidade profunda, pois precisa aproveitar tanto as águas correntes na superfície em tempos de abundância como as águas profundas em tempos de estio e sequidão. Que a lição espiritual se pode tirar desse exemplo? O profeta Jeremias descreve a vida profunda de quem “confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor”: “Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jr 17.7-8). Quem confia no Senhor tem raízes rasas estendidas “para o ribeiro” em tempos de fartura; assim também “não se perturba, nem deixa de dar fruto” em período de sequidão, pois suas raízes são profundas. O problema da árvore com raízes rasas é que ela se “acomodou” diante de tanta abundância e descuidou-se da firmeza necessária para enfrentar as intempéries. Quantos cristãos têm a vida espiritual rasa por estarem procedendo como a árvore acomodada? Como identificar, então, o cristão raso e diferençá-lo do profundo? Ora, o cristão raso vive pulando de igreja em igreja, numa procura sem fim da que é “mais forte” para receber suas bênçãos. Para ele, seguir o Evangelho é ter seus sonhos realizados, os pedidos atendidos, as vontades expressas em decretos e ordens inconsequentes a um “Deus” domesticado e pronto para atender-lhe os caprichos. O cristão raso não entende o conceito de graça, pois vive por obras e barganhas; também não dá graças em tudo, pois quando não consegue imediatamente o que quer, sua oração não passa de mera reclamação. Quer um Deus de bênção, não de disciplina; prefere o caminho largo dos modismos espiritualistas (que não lhes custa nada, senão uns trocados) ao caminho estreito da salvação (que lhes demanda o alto preço de uma entrega total). O cristão raso participa dos cultos apenas para receber bênçãos, não para expressar a sua adoração e amor a Deus; não procura conhecer a Deus para ter intimidade com Ele. Quer bênçãos financeiras, mas geralmente usa dízimos e ofertas para barganhar com Deus, não para abençoar a Obra. O cristão raso quer cura e libertação, mas não tem uma vida regrada, não foge da promiscuidade; antes, se entrega a todo tipo de prazer e vícios. Quer ser perdoado, mas nem sempre libera o necessário perdão para ser liberto; antes, guarda mágoas e ódio contra seus irmãos em Cristo. Pede livramentos, mas não vive de forma correta; antes, se expõe desnecessariamente ao perigo. Dá livre curso às suas ambições materialistas a fim de acumular tesouros na terra, mas não acumula tesouros no céu, nem prioriza os valores espirituais e eternos. Não tem nada de errado em buscar as bênçãos de Deus. Muitas pessoas se chegam a Deus em busca de cura, libertação, livramento etc., e devem fazê-lo livremente. Não podemos censurar as pessoas por buscarem algo sobrenatural que lhes traga melhoria de vida, se elas crêem no poder de Deus e esperam receber as bênçãos de que precisam. O problema é a rasidão da vida espiritual que pode resultar da acomodação dessa experiência. O cristão profundo, todavia, “é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Sl 1.3). Portanto, não se acomode; viva com profundidade! Pr. Samuel Câmara (Assembléia de Deus em Belém-PA)